Salim Valá lança obra sobre desenvolvimento económico
O economista moçambicano Salim Cripton Valá lança esta quinta-feira, 2 de Abril de 2026, às 16 horas, o seu oitavo livro, intitulado “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, numa cerimónia a decorrer na Universidade Pedagógica de Maputo, no Campus de Lhanguene, na cidade de Maputo. A obra propõe uma reflexão crítica sobre os caminhos alternativos para o desenvolvimento económico e sobre o papel que o Estado deve assumir perante os desafios contemporâneos nacionais e globais.
O livro analisa os dilemas, tendências e transformações recentes da economia do desenvolvimento, considerando o contexto internacional marcado por turbulências, incertezas, riscos e fenómenos imprevisíveis que influenciam directamente os processos económicos. Segundo o autor, repensar o desenvolvimento económico tornou-se uma exigência simultaneamente intelectual e prática, numa altura em que o crescimento económico, por si só, não tem sido suficiente para garantir transformação estrutural nem inclusão social, económica e territorial.
Na obra, Salim Valá questiona que tipo de Estado poderá promover de forma eficaz e sustentável o desenvolvimento económico inclusivo, defendendo que Moçambique se encontra num ponto de inflexão do seu percurso socioeconómico e político. Apesar dos avanços registados ao longo de mais de cinco décadas de independência – nomeadamente na estabilidade macroeconómica, melhoria de alguns indicadores sociais e maior integração nos mercados internacionais – persistem fragilidades estruturais, desigualdades regionais e elevada dependência de recursos naturais e da ajuda externa.
O autor argumenta que, face às especificidades nacionais, modelos inspirados no Estado de Desenvolvimento ou no Estado de bem-estar social podem constituir referências adequadas, desde que adaptadas à realidade moçambicana. A proposta passa por transformar recursos naturais em valor económico sustentável, crescimento em ganhos de produtividade e expansão do Produto Interno Bruto em inclusão e bem-estar social.
A publicação defende igualmente uma mudança na actuação do Estado, sugerindo a transição de um modelo que procura intervir em múltiplas áreas de forma dispersa para um Estado mais estratégico, focado e eficiente, capaz de produzir maior impacto económico e social. Para o autor, o desenvolvimento exige instituições robustas, capacidade técnica e uma actuação equilibrada entre regulação, planeamento, empreendedorismo público e parcerias com o sector privado e a sociedade.
Ao longo da obra, sustenta-se que o Estado deve assumir um papel protagónico no desenvolvimento económico, sem cair na tentação de centralizar todas as funções nem adoptar uma postura de ausência. Um Estado estrategicamente activo e institucionalmente sólido, defende Salim Valá, estará melhor preparado para impulsionar um desenvolvimento económico endógeno, inclusivo e sustentável em Moçambique.

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