Oscar Magane Consolida o Beach Tennis em Moçambique
O desporto de praia em Moçambique está a viver uma autêntica revolução, e na linha da frente desta transformação surge um nome incontornável: Oscar Magane. Numa entrevista exclusiva concedida à Revista Ídolo, o mentor da Magane Sports & Lifestyle abriu o livro sobre o percurso, os “bicos-de-obra” da gestão desportiva nacional e o sucesso retumbante da Rota do Índico, um circuito que está a desenhar uma nova narrativa para o turismo desportivo e para a inclusão social no país.

O “Clique” e os Bicos-de-Obra de um Projecto Pioneiro

Para Magane, a ligação com as modalidades de raquete e de praia ultrapassa a mera competição; trata-se de um projecto estratégico de desenvolvimento humano. O grande “clique” para avançar surgiu ao constatar o contraste entre o potencial natural do país e a escassez de plataformas estruturadas.
“Percebi que Moçambique tinha condições naturais extraordinárias praias, clima, juventude e energia , mas ainda faltavam plataformas organizadas que ligassem o desporto ao turismo, ao lifestyle e ao networking”, recorda.
Contudo, trilhar este caminho em solo nacional exige “bater o pé” constantemente. Oscar Magane não esconde as dificuldades e aponta a sustentabilidade financeira e a conquista de confiança institucional como os maiores obstáculos ou “bicos-de-obra” encontrados na sua caminhada. “O maior desafio foi construir algo praticamente do zero. Encontrar financiamento e convencer marcas privadas a investir num conceito novo exige muita persistência”, desabafa, sublinhando que a motivação para não deitar a toalha ao chão vem do impacto visível na juventude e nos parceiros que abraçam a causa.
Da Areia de Maputo à Conquista da Rota do Índico

O grande ponto de viragem e orgulho do gestor recua até 20 de Abril de 2024, data da primeira edição da modalidade no South Beach Maputo. O sucesso foi tal que impulsionou a criação de uma escola gratuita na capital, erguida em parceria com o seu amigo Pedro Medeira.
Desde então, o Beach Tennis ganhou asas e expandiu-se. Em 2025, o projecto escalou para o Koko Beach, na Praia do Bilene (Gaza), e em 2026 fixou raízes no Sentidos Beach Retreat, na Praia da Barra (Inhambane), com o Torneio do Trabalhador.
O conceito por trás do nome Rota do Índico espelha perfeitamente esta descentralização uma viagem desportiva e cultural pelas praias e estâncias hoteleiras mais carismáticas da nossa costa. E a moldura humana tem correspondido. Segundo Magane, a adesão do público e dos atletas tem superado as expectativas, mostrando que a modalidade “já pegou” no coração dos moçambicanos por ser inclusiva e muito alinhada com a cultura costeira nacional.
Massificação, Apoios e a Ambição Internacional

Mais do que movimentar o turismo e o lifestyle, a Rota do Índico assume um forte cariz social através de clínicas e treinos gratuitos abertos ao público. Todos os sábados, das 9h00 às 13h00, o South Beach Maputo transforma-se num centro de massificação e inclusão de jovens de várias camadas sociais.
Para colocar de pé uma estrutura com esta envergadura logística, Magane destaca a colaboração estreita com a Federação Moçambicana de Ténis (FMT) e o apoio de patrocinadores de peso, como a Coca-Cola, Corona Extra, Betway e GoFuel, Clube de Ténis de Maputo além dos resorts parceiros.
Olhando para o futuro, o horizonte traçado por Oscar Magane é claro: a internacionalização.
“O sonho é ver, num futuro próximo, grandes nomes mundiais da modalidade a competir nas praias moçambicanas e, simultaneamente, ver atletas moçambicanos a representarem o país nas grandes provas internacionais, elevando a bandeira de Moçambique além-fronteiras.”

Com os olhos postos no resto de 2026, a organização mantém o convite aberto para novas parcerias que queiram juntar-se a esta viagem de promoção do país como um destino africano de referência no Beach Tennis.
