Agricultura ganha base para melhor planificação

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu esta quinta-feira, 21 de Maio de 2026,  que a existência de uma base estatística fiável é fundamental para impulsionar a transformação da agricultura, reforçar a segurança alimentar e acelerar o combate à pobreza em Moçambique, destacando que o III Censo Agro-Pecuário (CAP 2023/24) disponibiliza informações estratégicas indispensáveis para orientar políticas públicas, investimentos e decisões de desenvolvimento.

Falando durante o Seminário de Divulgação dos Resultados Definitivos do CAP 2023/24, realizado em Maputo, o governante afirmou que nenhum país consegue promover uma transformação económica sustentável sem conhecer profundamente a sua realidade produtiva, económica, social e territorial. Segundo explicou, os dados recolhidos pelo censo constituem um instrumento de inteligência económica e territorial que permitirá ao Estado, ao sector privado, aos parceiros de cooperação e às instituições financeiras planificarem intervenções mais eficazes e ajustadas às necessidades reais das comunidades.

Valá sublinhou que a agricultura continua a ser um dos pilares da economia moçambicana, desempenhando um papel determinante na segurança alimentar, na criação de emprego rural, na redução da pobreza, no fornecimento de matérias-primas para a indústria e na promoção das exportações. Por isso, considerou que a disponibilidade de informação estatística rigorosa deixou de ser apenas uma necessidade técnica para se transformar numa condição essencial para a tomada de decisões capazes de responder aos desafios do desenvolvimento nacional.

Entre os principais resultados do CAP 2023/24, o ministro destacou a existência de cerca de 5,2 milhões de explorações agrícolas em todo o país, das quais 38% são lideradas por mulheres, evidenciando o papel central feminino na produção alimentar nacional. Referiu igualmente que 99,9% das explorações correspondem a pequenas e médias unidades agrícolas, confirmando a predominância da agricultura familiar e a necessidade de reforçar políticas de apoio ao financiamento, assistência técnica, acesso ao mercado e aumento da produtividade.

Os dados revelam ainda que Moçambique possui mais de 6,5 milhões de hectares cultivados, o equivalente a cerca de 17,8% dos 36 milhões de hectares de terra arável disponíveis. Para o governante, este indicador demonstra simultaneamente os desafios existentes e o enorme potencial de expansão da actividade agrícola nacional. Salim Valá observou que mais de 84% das explorações possuem menos de dois hectares, situação que limita a mecanização, a irrigação e a integração nas cadeias de valor, mas destacou que a vasta extensão de terras ainda não aproveitadas representa uma importante reserva estratégica para o crescimento do sector.

O responsável acrescentou que os resultados do censo mostram igualmente a dimensão do efectivo pecuário nacional, estimado em cerca de 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e aproximadamente 16 milhões de galinhas de raça local, recursos considerados essenciais para a segurança alimentar e nutricional das famílias moçambicanas.

De acordo com o ministro, uma das grandes inovações do CAP 2023/24 foi a disponibilização de dados oficiais sobre produção agrícola, áreas cultivadas e volumes de produção com desagregação provincial e distrital, permitindo um conhecimento mais detalhado das dinâmicas produtivas locais. A operação recorreu ainda a tecnologias digitais, incluindo tablets com sistemas de recolha electrónica de dados e georreferenciação por GPS, aumentando a precisão das informações e reduzindo erros operacionais.

Salim Valá salientou que os resultados do censo surgem num momento estratégico para o país, numa fase em que o Governo implementa a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044 e o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029. Segundo afirmou, as informações recolhidas irão apoiar directamente a formulação, monitoria e avaliação de políticas ligadas à segurança alimentar, desenvolvimento rural, investimento agrícola, resiliência climática, ordenamento territorial e promoção da agro-indústria.

O governante destacou ainda que a tomada de decisões baseada em evidências tornou-se uma exigência incontornável numa conjuntura marcada pela escassez de recursos e pelo aumento das necessidades sociais. Nesse contexto, defendeu que o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas poderá utilizar os resultados do CAP para acelerar a modernização do sector agrário e fortalecer as cadeias de valor responsáveis pela produção de alimentos, geração de emprego, aumento das exportações e alargamento da base tributária.

Na sua intervenção, o ministro recordou igualmente que a agricultura ocupa a segunda posição entre os projectos financiados pelo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), representando 27,2% dos 15.956 projectos apoiados em todo o país, ficando apenas atrás do comércio. Para Salim Valá, estes investimentos têm contribuído para dinamizar iniciativas lideradas por jovens e mulheres nos distritos e municípios, reforçando os esforços de desenvolvimento económico local e redução da pobreza.

Ao encerrar a sua intervenção, o titular da pasta da Planificação e Desenvolvimento afirmou que as estatísticas oficiais devem ser encaradas como instrumentos estratégicos para melhorar a qualidade das políticas públicas e garantir resultados concretos para a população. Manifestou ainda o desejo de que os dados agora divulgados contribuam para orientar investimentos mais inteligentes, fortalecer a segurança alimentar, impulsionar a comercialização agrícola e a agro-industrialização, reduzir desigualdades territoriais e acelerar a construção de uma economia mais diversificada, produtiva, resiliente e inclusiva. Segundo concluiu, o CAP 2023/24 representa uma oportunidade para transformar potencial em produtividade, crescimento em prosperidade partilhada e informação em decisões capazes de melhorar efectivamente a vida dos moçambicanos.

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Categoria: Sociedade

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