Moçambique abraça a era da Smartphonezação
A necessidade de acelerar a democratização das competências digitais em Moçambique voltou a ganhar destaque durante as reflexões em torno do Fórum de Convergência Tecnológica de Moçambique, cuja sessão de abertura foi dirigida pela Secretária Permanente do Ministério das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), Nilsa Miquidade. A iniciativa reuniu especialistas, académicos, decisores públicos e representantes do sector privado para discutir o futuro da transformação digital no país, com enfoque na construção de infra-estruturas tecnológicas resilientes e inclusivas.
Na sequência do evento, o Professor Doutor Lourenço Dias da Silva, presidente da Escola Superior de Gestão Corporativa e Social (ESGCS/CBS) e precursor do postulado da “Smartphonezação” ou “Smartphoneglobalização”, saudou a realização do fórum e destacou a urgência de expandir as competências digitais junto da população, defendendo que o acesso ao conhecimento tecnológico deve acompanhar o crescimento da conectividade.
Para o académico, a transformação digital não deve ser analisada apenas sob a perspectiva da instalação de redes de telecomunicações ou da modernização de sistemas tecnológicos, mas sobretudo como um processo de inclusão social e económica. Segundo explicou, a massificação dos smartphones criou uma nova realidade global, em que milhões de pessoas acedem diariamente a serviços financeiros, educação, comércio electrónico e informação através de dispositivos móveis.
Lourenço Dias da Silva considera que Moçambique possui condições para acelerar este processo, tendo em conta a crescente expansão das redes móveis e o aumento do número de utilizadores de smartphones. Contudo, alerta que a conectividade, por si só, não garante o desenvolvimento digital. Defende, por isso, investimentos contínuos na capacitação dos cidadãos para que possam utilizar as tecnologias de forma produtiva, segura e sustentável.
Como contributo da ESGCS/CBS para o debate nacional sobre transformação digital, o professor propõe uma linha de orientação teórico-metodológica e prática assente na “Cátedra 4G, 5G, CBS | ESGCS e Sustentabilidade”, estruturada em três pilares fundamentais: deslocalização, smartphonezação ou smartphoneglobalização e conectividade.
Na visão do académico, a deslocalização representa a possibilidade de ultrapassar barreiras geográficas através da tecnologia, permitindo que estudantes, empreendedores e trabalhadores tenham acesso a oportunidades sem a necessidade de deslocação física. A smartphonezação, por sua vez, traduz-se na crescente centralidade do telemóvel inteligente como instrumento de aprendizagem, produção, inclusão financeira e participação económica. Já a conectividade constitui a base que sustenta todo o ecossistema digital, assegurando a circulação de informação e o acesso aos serviços.
O conceito de smartphoneglobalização defendido por Lourenço Dias da Silva sustenta que os smartphones se transformaram no principal veículo de integração dos cidadãos na economia digital global. Em muitos contextos africanos, incluindo Moçambique, o telemóvel tornou-se o primeiro e, por vezes, o único ponto de acesso à internet, aos serviços bancários digitais, às plataformas de comércio electrónico e aos sistemas de educação à distância.
Exemplos desta realidade podem ser observados no crescimento dos serviços de carteira móvel, na utilização de plataformas digitais para pagamento de bens e serviços, no acesso a cursos online e na expansão de pequenas iniciativas empresariais que utilizam redes sociais para comercialização de produtos. Em zonas onde a presença física de bancos, escolas especializadas ou centros de formação é limitada, os smartphones têm desempenhado um papel decisivo na redução das desigualdades de acesso à informação e ao conhecimento.
Neste contexto, o académico entende que a democratização das competências digitais deve tornar-se uma prioridade estratégica nacional. Defende que escolas, universidades, empresas e instituições públicas devem trabalhar de forma articulada para promover a literacia digital, a inovação tecnológica e a inclusão de jovens e mulheres nos processos de transformação digital.
As reflexões apresentadas reforçam os objectivos do Fórum de Convergência Tecnológica de Moçambique, que procura impulsionar o debate sobre o papel das tecnologias emergentes no desenvolvimento económico e social do país. Para Lourenço Dias da Silva, o sucesso da transformação digital dependerá não apenas da expansão das redes 4G e 5G, mas também da capacidade de transformar os cidadãos em utilizadores qualificados da tecnologia, capazes de participar activamente na economia digital global.

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