Mesquita liga conectividade ao progresso
O antigo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, defendeu, em Maputo, a necessidade de Moçambique apostar na conectividade digital, industrialização e formação de capital humano como pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país. A posição foi manifestada durante uma visita à Escola Superior de Gestão Corporativa e Social (ESGCS|CBS), na sexta-feira, 15 de maio de 2026. onde tomou conhecimento do historial da criação da instituição, do projecto de “smartphonezação” ou “smartphoneglobalização”, iniciado em 2012, e da Cátedra 4G, 5G, CBS|ESGCS e Sustentabilidade: Deslocalização| Smartphonezação ou Smartphoneglobalização | Conectividade
Na ocasião, Carlos Mesquita classificou a CBS como uma instituição de “efeito multiplicador”, destacando o papel estratégico do ensino superior na formação de quadros preparados para responder aos desafios tecnológicos, económicos e sociais do país. O antigo governante elogiou igualmente a visão do professor Lourenço Dias da Silva, responsável pela apresentação dos projectos da instituição, sublinhando que a conectividade representa uma necessidade inevitável num contexto global cada vez mais digitalizado.
Ao longo da intervenção, Mesquita recordou o seu percurso pessoal e profissional, desde a infância nas plantações de chá do Gurué, na província da Zambézia, até à carreira como engenheiro mecânico e dirigente governamental. Referiu que iniciou a actividade profissional na Beira, no âmbito do programa de desenvolvimento do Corredor da Beira, criado durante a estratégia regional da SADC para fortalecer os portos e corredores ferroviários da região no período do apartheid na África do Sul.

O antigo ministro revelou que, em 1987, era o único engenheiro mecânico na cidade da Beira, situação que o levou a trabalhar em diversos sectores ligados à indústria ferro-portuária, hospitais e instituições públicas. Segundo explicou, essa experiência contribuiu para consolidar uma visão abrangente sobre logística, infra-estruturas e desenvolvimento económico.
Durante a palestra, defendeu ainda que a humildade, persistência e aprendizagem contínua constituem factores determinantes para o crescimento profissional, considerando igualmente que o ensino superior deve incorporar uma forte dimensão social para preparar os estudantes a compreenderem os impactos das transformações tecnológicas e económicas.
Referindo-se ao projecto de “smartphonezação”, Carlos Mesquita afirmou que Moçambique não pode ignorar o avanço tecnológico e digital, advertindo que negar o acesso às novas tecnologias significaria condenar o país ao atraso económico e social. Neste contexto, recordou iniciativas implementadas durante a sua passagem pelo Ministério dos Transportes e Comunicações para expandir a cobertura das telecomunicações às zonas rurais, através de fundos de acesso universal geridos pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique.
“Negar esta tecnologia hoje é impossível. Ou se acompanha a transformação digital ou o país ficará para trás”, afirmou, defendendo que a expansão da conectividade deve ser encarada como uma obrigação estratégica do Estado.
Carlos Mesquita abordou igualmente o potencial logístico de Moçambique, considerando que o país possui vantagens naturais para se afirmar como plataforma regional de transporte e comércio. Contudo, alertou para a necessidade de maior disciplina na gestão económica e melhor aproveitamento das receitas provenientes dos corredores logísticos, portos, turismo e recursos naturais.

O antigo governante falou também da experiência na criação do Programa Nacional de Industrialização (PRONAI), desenvolvido durante a sua passagem pelo Ministério da Indústria e Comércio. Segundo explicou, o programa visava reduzir a dependência das importações e fortalecer a produção nacional.
Para ilustrar os desafios da economia moçambicana, revelou que, em 2021, o país gastava cerca de 70 milhões de dólares norte-americanos por ano na importação de papel higiénico e 17 milhões de dólares na compra de cadeados, números que considerou demonstrativos da urgência de impulsionar a industrialização e a substituição de importações.
Mesquita sublinhou ainda que o desenvolvimento económico exige dados, informação e capacidade analítica, defendendo que as instituições de ensino superior devem formar profissionais capazes de criar soluções concretas para os problemas do país.
Durante o encontro, partilhou igualmente episódios ligados ao percurso governativo e à relação de longa data com o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, relatando momentos associados à sua nomeação para o cargo de ministro dos Transportes e Comunicações e à missão posterior de liderar o processo de industrialização nacional.
No encerramento da intervenção, reiterou a importância de continuar a investir em conhecimento, inovação e conectividade, defendendo que o futuro de Moçambique dependerá da capacidade das instituições académicas, do sector privado e do Estado trabalharem em conjunto para acelerar o desenvolvimento sustentável.
No final do encontro, o presidente da escola, Lourenço Dias da Silva, o director Plinio Fonseca e outros colaboradores convidaram Carlos Mesquita a coordenar um mini MBA de liderança logística, apoiar a mobilização de smartphones da Huawei para acelerar o projecto de smartphonezação, bem como sensibilizar Filipe Nyusi para participar num Open Day da ESGCS|CBS e na realização de um webinar sobre liderança e desenvolvimento.

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