Industrialização verde é o caminho para independência económica

O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu esta sexta-feira, 15 de Maio, em Maputo que, a industrialização verde constitui o principal caminho para transformar Moçambique numa economia moderna, competitiva e sustentável, capaz de gerar emprego qualificado e alcançar a independência económica.

O ministro falava durante o workshop realizado em Maputo com parceria com o Reino Unido, o governante afirmou que o país possui condições excepcionais para integrar as novas cadeias globais de valor ligadas à transição energética mundial.Segundo Salim Valá, a assinatura do Pacto para o Crescimento Económico Inclusivo entre Moçambique e o Reino Unido, em Janeiro de 2025, representa um compromisso estratégico orientado para a mobilização de cerca de três mil milhões de dólares em investimento directo estrangeiro britânico.“O nosso percurso para a independência económica não será linear nem automático, mas existe um roteiro claro”, declarou.O ministro explicou, igualmente, que a industrialização verde significa industrializar com eficiência, competitividade e preparação para o futuro, através da redução da dependência externa, da valorização local dos recursos naturais e da criação de empregos qualificados.O governante destacou que Moçambique dispõe de vantagens competitivas relevantes, entre as quais o potencial hidroeléctrico, recursos de gás natural, condições favoráveis para energia solar e eólica, além de minerais críticos para a transição energética global, como o grafite.Para o Executivo, estes recursos podem posicionar o país como fornecedor estratégico de matérias essenciais para baterias eléctricas, armazenamento de energia e mobilidade sustentável.Salim Valá apontou ainda a mobilidade eléctrica, a agro-indústria sustentável, os fertilizantes verdes, o hidrogénio verde, a construção sustentável e a reciclagem como sectores prioritários para a nova estratégia industrial do país.“O mundo está a reorganizar-se em torno das indústrias verdes e Moçambique não pode limitar-se a assistir a esta transformação histórica”, afirmou.O ministro referiu igualmente que o Governo está a implementar reformas estruturais destinadas a tornar o ambiente de negócios mais atractivo, incluindo a operacionalização do Fundo de Recuperação Económica, do Fundo de Desenvolvimento Económico Local e do futuro Banco de Desenvolvimento de Moçambique.Segundo explicou, estas medidas pretendem facilitar o acesso ao financiamento, impulsionar as micro, pequenas e médias empresas e acelerar projectos estruturantes ligados à energia, logística e industrialização.Na ocasião, o ministro da Planificação e Desenvolvimento reconheceu os desafios económicos internos e externos que o país enfrenta, incluindo a desaceleração económica mundial, as tensões geopolíticas, as alterações climáticas e os efeitos das cheias registadas no início de 2026.Apesar disso, mostrou-se confiante na recuperação gradual da economia nacional, defendendo que a combinação entre reformas estruturais, investimento privado e estabilidade macroeconómica poderá impulsionar o crescimento económico nos próximos anos.Dirigindo-se aos parceiros de desenvolvimento e ao sector privado, Salim Valá apelou ao reforço do investimento estratégico em Moçambique, defendendo que o país pretende afirmar-se progressivamente não apenas como exportador de matérias-primas, mas como produtor de valor acrescentado, tecnologia e desenvolvimento sustentável.“O futuro de Moçambique será determinado pelos resultados que conseguirmos alcançar. A juventude merece ver esta visão transformada em empregos, oportunidades e prosperidade”, concluiu.


Categoria: Economia

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