João das Neves aponta a Bolsa como o “Caminho Certo” para democratizar o investimento

A capital moçambicana vestiu-se de gala  na passada nequarta-feira, 25 de Março, para celebrar o vigor do mercado de capitais. Entre homenagens a figuras históricas e o balanço do Plano Estratégico 2024-2028, João das Neves, PCA da Zero Investimentos S.A., partilhou com a nossa reportagem uma visão optimista: a Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) não é apenas para “gigantes”, é o mecanismo ideal para o pequeno investidor participar no crescimento da economia nacional.

 O epicentro das decisões financeiras moçambicanas deslocou-se, para a celebração do capital humano. A tradicional cerimónia de “Premiações BVM” reafirmou o compromisso da instituição com a transparência e a resiliência. O momento mais marcante foi a entrega do inédito Prémio Carreira a Jussub Nurmamade, o primeiro PCA da história da BVM, que recordou o esforço “ciclópico” de erguer a bolsa do zero em 1999.

Contudo, para além do olhar sobre o passado, o evento serviu para projectar o futuro. E nesse capítulo, a voz de João das Neves, timoneiro da Zero Investimentos S.A., ecoou com clareza e pragmatismo sobre o que significa estar no “ringue” bolsista.

Para a Zero Investimentos, estar cotada na BVM vai muito além de uma simples presença institucional. É, segundo o PCA, uma questão de abertura e oportunidade.

“Estar cotado na Bolsa significa que os accionistas da nossa empresa podem comprar ou vender acções a qualquer momento, de forma livre e espontânea,” explicou João das Neves. “Mas é também a oportunidade de partilhar o negócio com outros moçambicanos que queiram tirar proveito das oportunidades que desenvolvemos.”

Num cenário de incertezas económicas, Neves não hesita em classificar a relação com a BVM como “extremamente positiva”. Para o gestor, a Bolsa apresenta-se como o porto seguro para o investimento estruturado e organizado, independentemente das dificuldades do ambiente de negócios.

O Fim do Mito do “Muito Dinheiro”

Um dos pontos altos da visão de João das Neves centra-se na desmistificação do acesso ao mercado. Para muitos moçambicanos, a ideia de investir em acções ainda está ligada à posse de grandes capitais. Neves contraria essa percepção com veemência.

  • Democratização: A Bolsa permite aproximar as oportunidades de negócio de quem tem pouco para investir.
  • Massificação: É possível consolidar pequenos montantes em investimentos viáveis e estruturados.
  • Dinamização: Mais moçambicanos na Bolsa significa uma economia mais vibrante e menos dependente de canais tradicionais de financiamento.

Um Desafio à Participação

Com o olhar posto na consolidação do mercado, o PCA da Zero Investimentos deixou um apelo directo aos investidores nacionais:

“Desafio os moçambicanos a participarem mais na compra e venda de acções. As empresas cotadas são organizações estruturadas para melhor servir os interesses dos seus accionistas. É por esta via que dinamizamos não só a Bolsa, mas a própria economia nacional.”

A mensagem de João das Neves no evento da BVM foi clara: a Bolsa é o caminho para transformar o pequeno poupador num parceiro do desenvolvimento, garantindo que o crescimento das empresas locais seja, de facto, um ganho partilhado por todos os moçambicanos.


Categoria: Economia

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