Coesão social é prioridade do Governo: Salim Valá, ministro de Planificação e Desenvolvimento
O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu que a coesão social deve ocupar um lugar central na formulação e implementação das políticas públicas, por constituir um dos principais pilares da unidade nacional, da paz e do desenvolvimento inclusivo em Moçambique. O governante falava esta terça-feira, 30 de Junho de 2026, durante a Conferência Anual sobre Coesão Social, promovida pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), sob o lema “Lições de Coesão Social do Norte de Moçambique: Contributo da Pesquisa para Políticas de Inclusão”.
Na sua intervenção, Valá afirmou que a conferência representa uma oportunidade para aproximar a investigação científica da formulação de políticas públicas, transformando conhecimento, diálogo e evidências em soluções concretas para promover a inclusão, a paz e o desenvolvimento sustentável. Segundo o ministro, o Governo pretende consolidar uma cultura de tomada de decisões baseada em evidências, valorizando o contributo da academia e dos centros de investigação.
O governante sublinhou que a coesão social não pode ser encarada como uma componente secundária das políticas públicas, mas sim como uma condição indispensável para assegurar estabilidade, segurança, participação democrática e eficácia das estratégias nacionais de desenvolvimento.
“A unidade nacional não significa uniformidade”, afirmou, defendendo que a diversidade cultural do país constitui uma riqueza que deve ser preservada e valorizada, sem que isso comprometa o princípio da igualdade de cidadania e do acesso equitativo às oportunidades de desenvolvimento.
Salim Cripton Valá recordou que a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044 estabelece como visão a construção de um país de rendimento médio, assente na equidade, segurança, bem-estar e sustentabilidade. Neste contexto, explicou que o desenvolvimento não deve ser medido apenas pelo crescimento económico, mas sobretudo pela capacidade de melhorar a vida das pessoas, reduzir as desigualdades, combater a pobreza e criar oportunidades para todos.
O ministro anunciou ainda a implementação de um novo projecto financiado pelo Banco Mundial, avaliado em cerca de 250 milhões de dólares norte-americanos, destinado às províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa. A iniciativa abrangerá 56 distritos durante um período de sete a oito anos e será coordenada pelas Agências de Desenvolvimento Integrado do Norte.
Segundo explicou, o programa privilegiará uma abordagem de planificação participativa, construída a partir das comunidades, abandonando modelos exclusivamente centralizados. Os investimentos estarão concentrados na construção de infra-estruturas socioeconómicas, na melhoria dos meios de subsistência das famílias e no apoio ao desenvolvimento económico local, através do financiamento de micro-iniciativas empresariais promovidas por cidadãos, associações e cooperativas.
Valá convidou igualmente o IESE a participar na monitoria e avaliação do impacto do projecto, defendendo que a produção científica deve acompanhar a implementação das políticas públicas para permitir ajustamentos contínuos e garantir melhores resultados.
Durante a conferência, o ministro destacou que os desafios vividos no Norte de Moçambique, marcados pela violência armada, deslocações forçadas e pressão sobre os serviços sociais, demonstram que a coesão social deve ser construída e reforçada de forma permanente. Defendeu, por isso, políticas territorialmente sensíveis, maior participação das comunidades, especial atenção aos jovens e às mulheres, mecanismos eficazes de diálogo e iniciativas que promovam meios de subsistência dignos.
O governante considerou igualmente prioritária a integração social das populações deslocadas, classificando-a como uma questão de desenvolvimento, segurança e visão nacional, para além da sua dimensão humanitária. Sustentou que esta integração exige acesso equitativo aos serviços, oportunidades económicas e participação efectiva nos processos locais de decisão.
Na ocasião, Salim Cripton Valá reiterou que a investigação desempenha um papel determinante na identificação dos factores que fortalecem ou fragilizam a confiança entre cidadãos, comunidades e instituições, permitindo desenhar políticas públicas mais eficazes e ajustadas às realidades locais.
O ministro concluiu defendendo que a coesão social deve tornar-se uma prática permanente de governação, colocando o cidadão no centro das políticas públicas. Salientou que somente através da inclusão será possível consolidar a unidade nacional, garantir uma paz duradoura e construir um desenvolvimento sustentável, justo e capaz de responder às necessidades de todos os moçambicanos.

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