Agroflorestas tornam-se pilar da agricultura sustentável

O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, anunciou que os sistemas agroflorestais passam a constituir um dos pilares da transformação agrária de Moçambique, defendendo esta abordagem como uma resposta estratégica aos desafios impostos pelas alterações climáticas, à degradação dos solos e à necessidade de aumentar a produção sustentável de alimentos. O compromisso foi assumido durante a abertura do Seminário sobre Sistemas Agroflorestais que se realiza de 1 – 2 de Julho de 2026, na cidade de Maputo, ocasião em que também destacou a assinatura de um memorando de entendimento com a Itália para impulsionar o desenvolvimento sustentável no país.

Segundo o governante, a agricultura moçambicana enfrenta uma crescente vulnerabilidade devido à degradação dos solos, à fragilidade dos sistemas de produção e à maior frequência e intensidade de secas, cheias e ciclones. Perante este cenário, defendeu a adoção urgente de soluções integradas capazes de aumentar a resiliência do sector agrícola e garantir maior segurança alimentar.

Roberto Mito Albino sublinhou que o memorando recentemente assinado com a Itália representa um instrumento de trabalho concreto e não um simples acordo protocolar. Explicou que o documento define objetivos claros, identifica os principais intervenientes, estabelece responsabilidades e assegura recursos financeiros para a implementação das ações previstas. O ministro agradeceu ao Governo italiano pela confiança contínua em Moçambique e pelo apoio a iniciativas orientadas para o desenvolvimento sustentável.

Ao explicar o valor estratégico dos sistemas agroflorestais, o ministro afirmou que a integração de árvores nas áreas agrícolas responde simultaneamente a três grandes desafios nacionais: a conservação ambiental, o aumento da produção agrícola e pecuária e o reforço da resiliência climática. Referiu que esta prática contribui para a restauração das florestas, protege os recursos hídricos, melhora a fertilidade dos solos e cria novas fontes de rendimento para os produtores.

O governante salientou que a associação entre árvores e culturas agrícolas constitui uma solução técnica, económica e ambiental para enfrentar os impactos das alterações climáticas, permitindo que as explorações agrícolas resistam melhor às secas e às cheias severas. Acrescentou que esta abordagem também reduz a necessidade de expansão constante das áreas de cultivo através do abate de florestas, incentivando antes a recuperação de terras degradadas para novas produções.

Dirigindo-se sobretudo aos produtores do sector familiar, Roberto Mito Albino afirmou que os sistemas agroflorestais representam a resposta que muitos agricultores aguardam para superar o ciclo anual de abandono de terrenos esgotados e abertura de novas áreas agrícolas. Defendeu que o conhecimento técnico deve chegar rapidamente às comunidades para que esta prática deixe de ser apenas um conceito debatido entre especialistas e passe a fazer parte do quotidiano dos produtores.

Para garantir o sucesso da estratégia, o ministro identificou três prioridades. A primeira consiste no reforço da assistência técnica através da formação de extensionistas especializados em sistemas agroflorestais, capazes de transmitir conhecimentos diretamente aos agricultores. Defendeu igualmente a necessidade de fortalecer o ensino e a investigação nesta área, formando novos profissionais preparados para apoiar a expansão desta abordagem em todo o país.

A segunda prioridade passa pelo fortalecimento da capacidade nacional de produção de insumos. O ministro destacou a existência de numerosos viveiristas em Moçambique e considerou que esta base deve ser apoiada para assegurar a disponibilidade de mudas de árvores, sementes e outros materiais indispensáveis à implementação dos sistemas agroflorestais.

Como terceira prioridade, Roberto Mito Albino apontou o financiamento. Anunciou que, pela primeira vez, o Orçamento e o Plano de Actividades do Ministério para 2027 passarão a incluir um capítulo específico dedicado aos sistemas agroflorestais, com recursos próprios e metas definidas para a expansão desta prática em larga escala.

O ministro garantiu que o Governo pretende implementar esta estratégia com dimensão nacional e resultados concretos, transformando os sistemas agroflorestais num dos principais instrumentos para aumentar a produção sustentável de alimentos, conservar os recursos naturais e reforçar a capacidade de adaptação da agricultura moçambicana às alterações climáticas.

Na sua intervenção, apelou ainda ao envolvimento dos parceiros de cooperação, das instituições académicas, dos investigadores, do sector privado e dos próprios produtores para assegurar a implementação da nova abordagem. Defendeu que o futuro da agricultura nacional depende da conjugação entre produção alimentar e plantio de árvores, afirmando que um sistema agrário resiliente, competitivo e sustentável só será possível através dessa integração.

Ao encerrar a sua intervenção, Roberto Mito Albino declarou oficialmente aberto o Seminário sobre Sistemas Agroflorestais, reiterando que esta abordagem passa a integrar a estratégia nacional de desenvolvimento agrário sustentável e constitui uma das principais apostas do Governo para garantir a segurança alimentar e a conservação ambiental em Moçambique.

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Categoria: Sociedade

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