UP-Maputo abre ano académico com lição de Mia Couto

A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) deu início ao ano lectivo de 2026 com uma aula inaugural proferida pelo escritor e biólogo Mia Couto, subordinada ao tema “Saber não tem CV”, num evento que reuniu académicos, estudantes e convidados no anfiteatro Paulus Gerdes, cuja capacidade se revelou insuficiente face à forte adesão do público. A cerimónia marcou oficialmente a abertura das actividades académicas, num momento de reflexão sobre os desafios e o futuro da educação em Moçambique.

Perante um auditório repleto, o escritor apresentou uma análise crítica sobre o estado actual do ensino no país, defendendo abordagens mais humanizadas na produção do conhecimento e sublinhando o papel das universidades como motores de transformação social, sobretudo num contexto global marcado por conflitos e crises económicas. Segundo o orador, as instituições de ensino superior devem assumir uma função activa na promoção do pensamento crítico e na consciencialização da comunidade académica, contribuindo para mudanças estruturais na sociedade moçambicana.

Durante a sua intervenção, Mia Couto manifestou preocupação com a situação económica nacional, criticando a contínua dependência da importação de produtos básicos, mesmo após cinco décadas de independência. O escritor defendeu que a formação académica deve estar alinhada com as necessidades reais do país, aliando competência técnica à ética profissional. Para o autor, mais do que seminários e workshops, é essencial criar pontes práticas entre o conhecimento produzido nas universidades e os desafios concretos da sociedade, estimulando o espírito crítico nas academias.

Na ocasião, o reitor da UP-Maputo, Jorge Ferrão, afirmou que a abertura do ano académico simboliza a resiliência da instituição, que, apesar dos desafios herdados de anos anteriores, mantém o compromisso com a sua missão social de formação da juventude. O dirigente reconheceu a persistência de dificuldades enfrentadas em 2025, mas destacou a determinação da universidade em melhorar o desempenho institucional e reforçar o seu contributo para o desenvolvimento nacional.

A cerimónia ficou igualmente marcada por um momento de reconhecimento institucional à Carla Maciel, directora científica da universidade, que recebeu a carta de desligamento após 38 anos de serviço. Na ocasião, o reitor sublinhou que a história dos 40 anos da instituição se confunde com o percurso profissional da docente, agradecendo o contributo prestado ao longo de quase quatro décadas.

O evento incluiu ainda uma homenagem a Mia Couto pelos seus 70 anos de vida, celebrados em 2025, coincidindo simbolicamente com as comemorações dos 40 anos da Universidade Pedagógica de Maputo. A abertura do ano lectivo reafirmou, assim, a instituição como espaço de formação académica e, simultaneamente, de debate crítico sobre os caminhos futuros do país e da educação moçambicana.

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Categoria: Sociedade

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