Futebol na Zambézia clama por apoio
O nosso maior desafio é a falta de apoio”, afirma Mariza do Rosário
.A presidente da Associação de Futebol da Zambézia, Mariza do Rosário, traça um retrato realista e preocupante do estado actual do futebol na província. Em entrevista exclusiva ao Ídolo+, a dirigente fala dos progressos alcançados, das dificuldades estruturais e financeiras, da situação dos campos, da arbitragem e do impacto da ausência de uma equipa da Zambézia no Moçambola.
Estado actual do futebol na província

Segundo Mariza do Rosário, o futebol na Zambézia, desde os escalões de formação até aos campeonatos seniores, tanto no masculino como no feminino, enfrenta sérias limitações estruturais e financeiras.
“Temos tido muitas dificuldades por causa da falta de apoio, sobretudo da parte do Governo. Para envolver as comunidades não é fácil. Tentamos realizar formações, organizar torneios e campeonatos por séries, mas isso não basta”, afirmou.
Nos últimos anos, a Associação tem procurado descentralizar as competições, promovendo séries em distritos como Mocuba e outros pontos da província. Contudo, a dirigente reconhece que o ideal seria abranger também distritos como Gurué e Milange, algo que ainda não é possível devido às limitações existentes.
“No ano passado conseguimos realizar uma série de juvenis em Mocuba, mas este ano já não foi possível. Ninguém apoia ninguém. Há boa vontade, mas sem apoio torna-se muito difícil.”
Formação de base e envolvimento comunitário

A nível da formação, a Associação tem apostado na organização de competições por séries distritais, como forma de reduzir custos de deslocação e aumentar a participação. Ainda assim, Mariza admite que o envolvimento das comunidades continua aquém do desejado.
“Mesmo quando pedimos apoio que não seja monetário como transporte ou apoio logístico é difícil. As direcções distritais de desporto poderiam ajudar mais as equipas que representam os seus distritos.”
Cumprimento do calendário competitivo

Apesar das dificuldades financeiras e geográficas, a Associação tem conseguido cumprir o calendário competitivo, graças à contribuição dos clubes filiados e ao apoio da Federação Moçambicana de Futebol.
“Temos conseguido cumprir, embora não consigamos abranger todos os distritos da província. Esse é o nosso calcanhar de Aquiles”, reconheceu.
Número de clubes: estagnação preocupante

O número de clubes inscritos nas competições provinciais não tem registado crescimento significativo. Este ano, apenas se assinala o regresso de um clube às provas provinciais.
Para a presidente, a principal razão é clara: falta de apoio financeiro.
“Se cada administrador distrital ou presidente do município conseguisse apoiar pelo menos uma equipa do seu distrito, nem que fosse apenas com transporte, já seria uma grande ajuda. Mas infelizmente não temos visto esse envolvimento.”
A inscrição no futebol federado, fixada em cerca de dois mil meticais, representa um salto significativo para clubes habituados a competir no futebol recreativo, onde os custos são muito inferiores. Mesmo com acordos de pagamento faseado, muitos compromissos acabam por não ser cumpridos.
Arbitragem: capacitação e inclusão feminina

No que toca à arbitragem, Mariza do Rosário considera que o nível técnico é satisfatório, graças a acções regulares de capacitação e actualização.
“Temos movimentado os nossos árbitros para os distritos e promovido formações constantes.”
Um dos principais desafios é o aumento do número de mulheres árbitras. No ano passado, uma árbitra do distrito de Ile participou na fase final provincial, e a Associação prevê novas acções de formação para reforçar a presença feminina na arbitragem.
Remuneração e motivação
A questão das remunerações continua sensível. Árbitros, treinadores e outros agentes desportivos enfrentam atrasos e valores reduzidos, o que naturalmente afecta a motivação e a qualidade global das competições.
“Não há condições financeiras. Mesmo os clubes que têm algum apoio empresarial passam dificuldades. Fazer futebol assim é completamente difícil”, sublinhou.
Ausência no Moçambola: impacto no desenvolvimento
A ausência de uma equipa da Zambézia no Moçambola tem impacto directo na motivação dos atletas e no desenvolvimento do futebol local.
Sem uma referência máxima na principal prova nacional, os jovens talentos têm menos visibilidade e menos oportunidades de crescimento competitivo ao mais alto nível.
Modelo competitivo nacional
Questionada sobre o modelo competitivo do Moçambola, Mariza defende maior inclusão provincial e mecanismos que reduzam os custos de participação, permitindo uma representação mais equilibrada das províncias.
Para a dirigente, enquanto persistirem as actuais desigualdades financeiras e logísticas, será difícil garantir um crescimento harmonioso do futebol moçambicano.
“Enquanto não houver um apoio estruturado e contínuo, sobretudo ao nível provincial, vamos continuar a lutar apenas com a boa vontade. E só a boa vontade não chega
