Noruega focada no bem-estar social em Moçambique
A diplomacia norueguesa em Moçambique voltou a assumir um papel de relevo no debate sobre modelos sustentáveis de desenvolvimento, durante a conferência nórdico-moçambicana realizada em Maputo, um encontro de alto nível que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, instituições públicas e parceiros internacionais.
Falando na sessão de abertura, o embaixador da Noruega em Moçambique ,Egil Thorsås, lançou uma reflexão que marcou o tom do evento, ao questionar se os países nórdicos são Estados de bem-estar social por serem ricos ou se, pelo contrário, se tornaram ricos por terem apostado cedo nesse modelo social




Segundo o embaixador, a experiência nórdica demonstra que o Estado de bem-estar social não é apenas um custo, mas um investimento estratégico. A aposta na educação universal, no acesso equitativo à saúde, na protecção social e no apoio a cidadãos em situação de vulnerabilidade criou sociedades mais produtivas, resilientes e coesas. “É caro, sim, mas devolve mais do que custa, em crescimento económico e em bem-estar para os cidadãos”, afirmou.
Segundo o embaixador, a experiência nórdica demonstra que o Estado de bem-estar social não é apenas um custo, mas um investimento estratégico. A aposta na educação universal, no acesso equitativo à saúde, na protecção social e no apoio a cidadãos em situação de vulnerabilidade criou sociedades mais produtivas, resilientes e coesas. “É caro, sim, mas devolve mais do que custa, em crescimento económico e em bem-estar para os cidadãos”, afirmou.
Egil Thorsås destacou ainda que o sucesso desse modelo assenta em pilares institucionais sólidos: Estados pequenos, instituições públicas transparentes, clara separação de poderes, parlamentos fortes, sistemas judiciais independentes e eleições livres e credíveis. A estes factores juntam-se a liberdade de expressão, uma imprensa livre, uma sociedade civil activa e um sector público amplamente reconhecido pela sua integridade.




Num tom diplomático, mas franco, o embaixador reconheceu que Moçambique enfrenta ainda um longo percurso na consolidação desses alicerces. Sublinhou, contudo, que não cabe à Noruega ditar caminhos, defendendo que cada país deve encontrar a sua própria trajectória de desenvolvimento, de acordo com a sua realidade histórica, social e política.
Ainda assim, deixou uma mensagem clara, baseada na experiência nórdica: o desenvolvimento sustentável exige participação cidadã efectiva, cultura de prestação de contas, mecanismos robustos de controlo dos poderes do Estado e inclusão de toda a sociedade, e não apenas das camadas mais privilegiadas. O encontro reforçou, assim, o papel da diplomacia norueguesa como parceira estratégica de Moçambique, promovendo não apenas a cooperação económica, mas também o diálogo aberto sobre governação, democracia e desenvolvimento humano. Num contexto de desafios complexos, a conferência nórdico-moçambicana afirmou-se como um espaço de reflexão madura, onde a experiência internacional é partilhada com respeito pela soberania e pelas escolhas do povo moçambicano
