Tecnologia impulsiona mudança social e económica
Por : Nuno Nogueira
Como sabemos, a inovação tecnológica tende a beneficiar, inicialmente, grandes empresas e países com maior capacidade de investimento. Potencialmente, ampliando, o fosso entre fortes e frágeis economias, países e/ou organizações. Sabemos também, todavia, que ao contrário de outras inovações que ocorreram na história, a inovação tecnológica reveste-se de carácter especial. Pelo seu carácter disruptivo, tanto pode fomentar e ampliar desigualdades, como as pode reduzir ou mitigar.
A transformação e inovação tecnológica e digital permite aceder a mercados não antes acessíveis. A conhecimento não antes alcançável. A oportunidades anteriormente exclusivas a economias, empresas e organizações de maior capacidade de investimento.
Em países como Moçambique, com desafios estruturais significativos, mas possíveis de suprir e ultrapassar, a revolução digital, paradoxalmente, pode tornar-se uma poderosa ferramenta para mitigar assimetrias sociais e económicas, tanto no plano social, como para o ecossistema económico e empresarial.
A esse respeito, ganha especial relevo a governação digital de tais transformações. A dependência de tecnologias importadas e de plataformas globais pode levantar questões sobre a soberania digital, a proteção de dados e a autonomia económica. Por outro lado, todavia, a desnecessidade de investir significativamente em capital tecnológico de raiz, potencia economias de escala e o aproveitamento efectivo de tais capacidades.
Impõem-se, no entanto, estratégias e políticas de acção claras para que países como Moçambique, pelas suas características e dimensão não corram o risco de se tornarem meros consumidores de tecnologia ou dos avanços técnicos promovidos por outros agentes económicos e sociais; mas sim, verdadeiros atores principais na sua própria transformação.
Para tal, capital humano e literacia digital constituem paradigmas essenciais. A baixa literacia digital ou a escassez de profissionais qualificados nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia podem limitar a capacidade do país de desenvolver e adaptar tecnologias às suas realidades locais. Plataformas de ensino à distância, cursos online abertos e parcerias com universidades internacionais permitirá ampliar o acesso à educação de qualidade a custos reduzidos. Se bem integradas nas políticas públicas, essas ferramentas podem reduzir desigualdades educacionais e preparar uma nova geração para a economia do conhecimento.
Ou seja, a tecnologia e o seu uso transformador constitui uma oportunidade estratégica mesmo para países com menor capacidade de investimento, a priori, ou para empresas e grupos económicos tendencialmente locais, mas com potencial de crescimento futuro.

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