MAAP define estratégia para assegurar níveis satisfatórios de produção após inundações

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) definiu uma estratégia de actuação a todos os níveis com vista a garantir níveis satisfatórios de produção na Campanha Agrária 2025/26. A medida surge na sequência da perda de culturas agrícolas provocada pelas inundações que resultam das chuvas registadas um pouco por todo o país desde o mês de Dezembro último, bem como das descargas de água em algumas barragens, dentro e fora do território nacional.

As linhas de orientação da estratégia foram apresentadas durante a Segunda Reunião de Balanço de Monitoria da Campanha Agrária em curso, realizada na última quinta-feira (15), com a participação de Directores Nacionais, Directores Provinciais da Agricultura e Pescas, Directores dos Serviços Provinciais de Actividades Económicas e Assessores do Ministro do Pelouro.

No quadro da estratégia definida, o MAAP preconiza a preparação atempada das estruturas provinciais e a mobilização de produtores detentores de sementes, visando a instalação de viveiros e o arranque imediato da sementeira logo que as águas baixem, no âmbito do plantio tardio, que normalmente decorre até à primeira quinzena do mês de Fevereiro.

A abordagem estratégica assenta no entendimento de que a situação de inundações não deve ser encarada como catastrófica, mas como um cenário que exige o reforço do plantio tardio, com o alargamento das áreas de sementeira, de modo a permitir o alcance das metas planificadas, salvaguardando a segurança alimentar e nutricional.

Paralelamente à recuperação da primeira época, a estratégia contempla a preparação, desde já, da segunda época da presente campanha agrária, prevendo-se que esta venha a assegurar cerca de 40 por cento da produção em relação à primeira época, ainda em curso. A segunda época terá como foco culturas como cereais (arroz e milho), leguminosas (feijões), hortícolas (tomate, cebola, alho e repolho), bem como raízes e tubérculos (mandioca e batata-doce).

Entre as acções prioritárias definidas consta a mobilização de recursos financeiros internos e externos para a criação de um Fundo destinado aos produtores para a aquisição de insumos agrícolas, bem como aos agrodealers para garantir o aprovisionamento imediato e regular de insumos. Para o efeito, equaciona-se linhas de financiamento com prioridade para estes dois segmentos das cadeias de valor.

A estratégia orienta ainda para o reforço das acções de monitoria e assistência técnica aos produtores, através dos serviços de extensão agrária, com vista a assegurar o máximo aproveitamento das condições agro-ecológicas favoráveis à segunda época.

Neste contexto, as Direcções Provinciais da Agricultura e Pescas deverão assegurar a disseminação e aplicação, na segunda época, da tecnologia de plantio directo sem lavoura (no till), visando o melhor aproveitamento da humidade e dos nutrientes presentes nos solos após a primeira época, com impacto directo no aumento dos rendimentos.

As linhas estratégicas definidas incluem igualmente o aproveitamento integral dos regadios e das zonas baixas para a produção agrícola, bem como o reforço dos mecanismos de vigilância fitossanitária, de modo a permitir uma intervenção atempada em caso de eclosão de pragas que possam danificar as culturas e comprometer a produção.

Sabe-se que, em todo o país, cerca de 174 mil hectares foram afectados pelas inundações, tendo-se registado a perda de aproximadamente 45 mil hectares da área semeada e o impacto directo sobre perto de 132 mil famílias produtoras.


Categoria: AmbienteSociedade

Parceiros e Clientes