Resiliência e promoção turística marcam Dakar de Paulo Oliveira
A 11.ª etapa do Rally Dakar voltou a confirmar a dimensão extrema da mais dura prova de todo-o-terreno do mundo, com uma especial longa e tecnicamente exigente no sector dos camiões, que provocou mexidas na classificação geral e voltou a testar os limites físicos e mentais das equipas. Entre os protagonistas esteve o piloto moçambicano Paulo Oliveira, que continua a afirmar-se não apenas pela competitividade em pista, mas também pelo papel activo na promoção de Moçambique além-fronteiras.
Integrado na TH Trucks Team, Paulo Oliveira concluiu a 11.ª etapa na 18.ª posição, com o tempo de 4h33m42s, ficando a 1h13m43s do vencedor do dia, o checo Aleš Loprais, da Instatrade Loprais Team De Rooy FPT, que cumpriu o sector cronometrado em 3h19m59s. Apesar de mais uma especial superada sem problemas mecânicos de maior, o resultado acabou por penalizar a equipa na classificação geral, que desceu quatro posições.
No acumulado, a TH Trucks Team ocupa agora o 23.º lugar da geral, com um tempo total de 195h51m13s, a uma diferença significativa do líder, reflexo de uma edição particularmente implacável do Dakar, marcada por etapas maratona, navegação exigente, terrenos traiçoeiros e desgaste extremo dos homens e das máquinas. “Este Dakar tem sido um verdadeiro teste à resistência. Houve dias em que o objectivo principal foi simplesmente chegar ao fim da etapa”, reconheceu Paulo Oliveira, sublinhando que “cada quilómetro percorrido é uma vitória num rally desta dimensão”.
Ao longo das etapas anteriores, o piloto moçambicano enfrentou dunas extensas, pisos muito degradados, longas ligações e especiais onde o erro se paga caro, desafios que obrigaram a equipa a gerir o ritmo e a estratégia com prudência. “Nem sempre é possível atacar. Muitas vezes é preciso saber esperar, proteger o camião e manter a cabeça fria”, explicou, acrescentando que a experiência acumulada até à 11.ª etapa tem sido determinante para continuar em prova.
Paralelamente à vertente desportiva, Paulo Oliveira tem assumido um papel de verdadeiro embaixador do turismo moçambicano ao longo do Rally Dakar 2026. Aproveitando a projecção mediática da prova, tem deixado um convite claro ao mundo para descobrir Moçambique. “Sempre que falo com a imprensa internacional faço questão de dizer que Moçambique é um país de praias únicas, parques naturais extraordinários e uma cultura riquíssima”, afirmou. Segundo o piloto, o Dakar é “uma montra global” que deve ser usada para mostrar que o país “tem muito para oferecer a quem procura aventura, natureza e hospitalidade”.
Nas várias interacções com meios de comunicação e nas plataformas digitais, Paulo Oliveira tem destacado destinos como o litoral moçambicano, as reservas naturais e o potencial para o turismo de aventura, associando o espírito do Dakar à diversidade do país. “Convido todos a visitarem Moçambique, a conhecerem o nosso povo e a sentirem a energia de um destino ainda por descobrir”, reforçou.
Com apenas algumas etapas por disputar, o foco mantém-se na gestão do esforço e na concentração até ao final. Esta sexta-feira disputa-se a penúltima etapa, que liga Al Henakiyah a Yanbu, num total de 718 quilómetros, dos quais 310 serão cronometrados, prometendo novas emoções numa recta final onde a resistência e a lucidez serão tão decisivas quanto a velocidade. Para Paulo Oliveira, o objectivo é claro: “Chegar ao fim do Dakar já é uma conquista enorme, e fazê-lo levando o nome de Moçambique ao mundo torna esta aventura ainda mais especial.”

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