Simone Santi fala de ganhos na 7.ª Cimeira União Africana – União Europeia
A participação de Moçambique na 7.ª Cimeira União Africana – União Europeia, realizada em Luanda, foi marcada por uma presença mais assertiva e estratégica, refletindo o novo posicionamento de África no xadrez diplomático global. Quem o afirma é Simone Santi, presidente da EuroCam Moçambique, que fez o balanço da presença moçambicana em entrevista à Revista Ídolo.
Segundo Santi, a Cimeira deixou claro que África está “mais madura na diplomacia global”, apresentando-se como um continente coeso, mais estratégico, mais exigente e consciente do seu poder, focado agora “em resultados e não apenas em declarações”. Para o dirigente, esta mudança de postura coloca o continente numa plataforma de maior influência na definição das agendas multilaterais.

Ganhos de Moçambique na Cimeira
No que toca especificamente a Moçambique, Simone Santi destaca um conjunto de benefícios concretos resultantes da presença do país no encontro de alto nível. Entre os ganhos, sublinhou:
“Acesso a mais financiamento para energia, infraestruturas e digitalização;
Apoio reforçado à industrialização, com enfoque na transformação local de minerais e produtos agrícolas, Abertura de novas portas para o mercado europeu, impulsionada pela AfCFTA e por parcerias renovadas;
Fortalecimento dos programas de paz e segurança, especialmente no tocante à estabilização de Cabo Delgado;,Mais oportunidades para jovens nas áreas de educação, capacitação e empreendedorismo.
Santi considera que o país saiu da Cimeira com uma “agenda mais robusta e alinhada às necessidades reais da economia moçambicana”.

Diplomacia Moçambique–Europa em Evolução
Ao avaliar a relação diplomática entre Maputo e Bruxelas, Simone Santi destaca que a parceria “é forte, estratégica e em evolução”, assente em confiança política, peso económico significativo, cooperação em segurança e um espaço permanente para diálogo crítico.
O dirigente aponta ainda que as oportunidades para o setor privado e para a juventude estão a crescer rapidamente, fruto de uma maior abertura para investimento e inovação.
O Que Falta Fazer?
Para alavancar ainda mais a diplomacia entre Moçambique e a Europa, Santi recomenda, Definição de prioridades claras de cooperação, maior aposta na diplomacia económica e energética, reforço da cooperação em segurança, sempre com liderança nacional;
Melhoria da capacidade de implementação de projetos, empoderamento real do setor privado e da juventude, modernização das narrativas e instrumentos diplomáticos.

EuroCam e os Novos Caminhos Abertos pela Cimeira
A EuroCam Moçambique, que representou a European Business Organisations Worldwide Network (EBOWN) em Luanda, vê a Cimeira como uma oportunidade decisiva para reposicionar o setor privado europeu e africano como parceiros centrais no desenvolvimento económico.
Simone Santi sublinha que o encontro “aprofundou o diálogo económico entre UE e África” e reforçou a perceção de que as empresas são peças-chave na criação de empregos de qualidade e no investimento sustentável.
O dirigente revelou ainda que Moçambique foi apontado como referência naconstituição de organizações empresariais europeias, com Angola a considerar seguir o modelo moçambicano para acelerar a criação de uma EBO naquele país.
A EuroCam compromete-se agora em converter os entendimentos políticos alcançados na Cimeira em projetos concretos, promovendo investimentos de impacto e crescimento económico inclusivo em Moçambique.

Com esta presença forte e articulada, Moçambique reafirma-se como um ator relevante no diálogo África–Europa, reforçando simultaneamente o seu papel no desenvolvimento económico regional.
