Quinito Jr.: O Visionário que “Saltou a Cerca” para Conquistar a África

Da Beira para o Mundo: O empresário moçambicano revela como a ousadia, a fé e a visão regional transformaram o Grupo JJ num gigante transfronteiriço, enquanto lança um apelo crítico à renovação do ambiente de negócios em Moçambique.

Moçambique já é pequeno para a mente de Quinito Jr. Não por falta de amor à pátria, mas por excesso de ambição e necessidade de sobrevivência. Numa conversa franca e sem “panos quentes”, o homem forte do Grupo JJ abre o livro da sua trajectória: desde os tempos de adolescente no Maquinino, a fazer bizness com um  o sumo no Zimbabué, até à actual expansão meteórica que já fixou bandeiras na Namíbia, Angola, África do Sul e RD Congo.

O “Bichinho” do Negócio nasceu no Maquinino

A história de Quinito não começa em gabinetes climatizados. Começa em 1989, quando, aos 14 anos, trocou Nampula pela Beira. No Maquinino, encontrou uma “malta” mais velha  vizinhos  que já desbravavam a fronteira de Machipanda

“Saíamos no comboio das 18h, chegávamos a Machipanda às 6h e entrávamos no Zimbabué. Com 15 anos, eu já conciliava a escola com o negócio”, recorda com nostalgia.

O Salto Chinês e a Visão Continental

O ponto de viragem, no entanto, deu-se em 2016. Com o mercado nacional “apertado e difícil”, Quinito e a esposa aventuraram-se na China. O que encontrou lá não foram apenas fábricas de material desportivo ou de betão, mas sim uma “abertura de mente”.

Dessa conexão nasceu a musculatura para o Grupo JJ equipar clubes não só no Moçambola, mas em Angola e na Namíbia. “A China foi a porta grande para hoje estarmos com os pés assentes no chão”, afirma. Hoje, o grupo diversificou-se: do peixe na Namíbia à maquinaria para mineração no Congo e Zâmbia.

“O Futuro é Escuro se o Estado não Pagar”

Apesar do sucesso fora de portas, o tom de Quinito Jr. torna-se grave ao falar de Moçambique. O empresário não foge às questões políticas e sociais que asfixiam o sector privado nacional:

  • Dívidas do Estado: “O Estado não pode dever a um empresário. Como é que vamos crescer e empregar mais pessoas se o Estado não paga?”
  • Criminalidade: Quinito lamenta que, hoje, um empresário que compra um carro fruto do seu trabalho seja perseguido ou sequestrado.
  • Amarras Políticas: Crítico, ele defende que Moçambique precisa de “mentes frescas” e não de pessoas “amarradas à política” ou ao “lambe-lambismo”.

“Espero que o Presidente Chapo, com o seu punho, consiga pôr luz onde está escuro”, desabafa, num voto de esperança moderada.

Desporto: Uma Indústria Adormecida

Como homem do desporto através da JJ Sport, Quinito Jr. olha com tristeza para a “letargia” nacional. Enquanto países como Tanzânia e Angola enriquecem clubes através do merchandising e infra-estruturas, Moçambique continua “de mãos estendidas”. “A indústria do desporto gera milhões. Temos de parar de olhar para o Ministério do Desporto como um ‘ministério de brincadeira'”, atira. O seu compromisso, contudo, permanece: levar jogadores moçambicanos para o estrangeiro e vestir federações como a de São Tomé e Príncipe

Solidariedade: O Legado do Berço

Nem só de lucro vive o Grupo JJ. Com 11 anos de existência, a Fundação JJ (já presente na Guiné-Bissau e Cabo Verde) é o reflexo da educação recebida de uma mãe professora e devota. “Saber dar água a quem tem sede, dividir dois peixes para dez pessoas… levo esse humanismo comigo”, explica o empresário, que foi baptizado pelo Padre Cote ainda bebé.

O veredicto de Quinito Jr. é claro: Para vencer em África, é preciso ser “soldado”, não ter preguiça e, acima de tudo, ter a coragem de procurar onde outros têm medo de ir. Moçambique continua no coração, mas o seu império já fala todas as línguas da SADC.

Acompanhe mais detalhes desta entrevista exclusiva na nossa próxima edição impressa.


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