Sustentabilidade dos Media em Debate
A sustentabilidade dos órgãos de comunicação social foi apontada como um elemento central para a consolidação da democracia e o desenvolvimento económico e social de Moçambique, durante a abertura da Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media, de decorre de 14 a 15 de Maio de 2026, em Maputo. A posição foi defendida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, que destacou o papel estruturante da comunicação social na promoção do pluralismo, da cidadania e da participação pública.
Na sua intervenção, em representação do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, o governante sublinhou que discutir a sustentabilidade dos media é, em simultâneo, reflectir sobre a qualidade da democracia e a vitalidade do espaço público. Considerou ainda que a conferência surge num momento simbólico, no contexto das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, período em que o país enfrenta o desafio de consolidar a independência económica e acelerar a transformação estrutural da economia.
O ministro enfatizou que a comunicação social não se limita à transmissão de informação, desempenhando antes um papel activo na formação da consciência colectiva, no escrutínio das instituições e na ligação entre cidadãos e poder público. Defendeu, por isso, a necessidade de um sector mediático forte, plural e sustentável, capaz de responder às exigências da era digital, marcada pela concorrência das plataformas tecnológicas, pela fragmentação das audiências e pela transformação dos modelos tradicionais de financiamento.
Ao abordar os desafios actuais, o governante chamou a atenção para a crise dos modelos de negócio do jornalismo, a dependência crescente da publicidade digital global e o impacto da inteligência artificial no ecossistema mediático. Alertou que a fragilidade económica dos órgãos de comunicação social pode comprometer a soberania informativa e limitar a produção de narrativas nacionais.
Apesar das dificuldades, reconheceu a resiliência da imprensa moçambicana, que continua a cumprir a sua missão de informar, investigar e promover o debate público, mesmo em contextos de restrições financeiras e tecnológicas. Sublinhou ainda a importância da ética e da deontologia profissional num ambiente marcado pela desinformação e pela aceleração digital, defendendo que o rigor, a verificação dos factos e a responsabilidade social continuam a ser pilares inegociáveis do jornalismo.
A intervenção destacou igualmente a necessidade de um enquadramento legal e institucional moderno, referindo as reformas legislativas em curso no sector da comunicação social, bem como os esforços do Governo na área da transformação digital, cibersegurança e protecção de dados. Segundo o ministro, estas medidas visam reforçar a profissionalização, a credibilidade e a sustentabilidade do sector.
Num outro plano, foi sublinhado o papel dos media como parceiros estratégicos do desenvolvimento nacional, particularmente na promoção da literacia económica, na transparência da governação e na consolidação da cidadania informada. O governante afirmou que não existe desenvolvimento sustentável sem circulação de informação credível, nem democracia robusta sem órgãos de comunicação social fortes e independentes.
A conferência, que reúne profissionais da comunicação social, académicos e representantes institucionais, prossegue com debates centrados na economia dos media, regulação digital, inteligência artificial no jornalismo e relação entre imprensa e democracia, num contexto em que se discute o futuro da informação em Moçambique.

Deixe um comentário