Moçambique defende IA inclusiva em Genebra
O ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, defendeu esta segunda-feira, 7 de Julho de 2026, em Genebra, na Suíça, uma governação global da inteligência artificial (IA) assente na inclusão, confiança e desenvolvimento de capacidades, afirmando que a tecnologia deve servir como instrumento para acelerar o desenvolvimento sustentável e reduzir desigualdades, e não aprofundá-las.
Na sua intervenção, Muchanga afirmou que Moçambique encara a inteligência artificial como um facilitador estratégico do desenvolvimento nacional, destacando o seu potencial para aumentar a produtividade agrícola, melhorar os serviços de saúde, expandir o acesso à educação, reforçar a resiliência climática, apoiar a prevenção e resposta a desastres naturais e modernizar a administração pública.


O ministro alertou, contudo, para o risco de a concentração das tecnologias e dos recursos ligados à inteligência artificial em reduzidos países e grandes empresas agravar as desigualdades globais e criar um fosso tecnológico que marginalize as economias em desenvolvimento. Por essa razão, reiterou a necessidade de um modelo de governação internacional que assegure a participação efectiva de todos os Estados na definição das regras que irão orientar o futuro da IA.
Segundo Américo Muchanga, a posição moçambicana assenta em três pilares fundamentais. O primeiro é a governação inclusiva, baseada em regras globais que reflictam as realidades, necessidades e aspirações de todos os países. O segundo consiste no desenvolvimento de capacidades, através de investimentos em infra-estruturas digitais resilientes, conectividade acessível, energia fiável, educação de qualidade, literacia digital, investigação científica, inovação e valorização do talento local. O terceiro pilar é a confiança, garantindo que o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial respeitem a dignidade humana, a transparência, a responsabilização, os direitos humanos, a cibersegurança e o direito internacional.
À margem do Diálogo Global, o ministro participa igualmente no Fórum da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS Forum 2026) e na Cimeira Global AI for Good 2026, encontros organizados pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), em parceria com diversas agências das Nações Unidas. Os eventos reúnem representantes de governos, organizações internacionais, sector privado, academia e sociedade civil para discutir os desafios e oportunidades da transformação digital e da inteligência artificial.
A participação de Moçambique nestes fóruns, que decorrem entre 6 e 9 de Julho, insere-se na estratégia nacional de reforçar a cooperação com os Estados-membros das Nações Unidas e parceiros internacionais para promover uma inteligência artificial aberta, segura, inclusiva e centrada nas pessoas. O país sustenta que esta tecnologia deve constituir um bem comum ao serviço da humanidade, defendendo que o verdadeiro progresso não depende apenas do desenvolvimento dos algoritmos mais avançados, mas da capacidade de assegurar que a inovação tecnológica contribua para a dignidade humana, a justiça social e o desenvolvimento sustentável.
A delegação moçambicana integra ainda representantes do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) e da Missão Permanente da República de Moçambique junto do Escritório das Nações Unidas e de outras organizações internacionais em Genebra.

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