Lançada em Maputo a 1ª Edição da Taça Matateu e Vicente Lucas
Numa jogada audaz para resgatar a dignidade do futebol de formação e desafiar o centralismo desportivo, a Casa de Moçambique em Portugal, em parceria com o histórico Clube de Futebol “Os Belenenses” e a Associação Desportiva de Nhamiba (ADN), lançou oficialmente nesta segunda-feira, 25 de Maio de 2026, na Cidade de Maputo, a primeira edição da Taça Matateu e Vicente Lucas.
Mais do que um torneio de futebol na categoria Sub-15, a iniciativa assume-se como um manifesto de inclusão social e descentralização territorial. O grande embate está agendado para o dia 25 de Setembro deste ano, no distrito de Inharrime, província de Inhambane, colocando frente a frente a formação local da ADN de Inharrime e a FASI (Futebol para Impacto Social) da Província de Maputo.

O pontapé de saída contra o centralismo
“Esta Taça nasce para ser um farol de esperança e uma fábrica de sonhos”, disparou o Dr. Enoque João, Presidente da Casa de Moçambique em Portugal. “Ao colocarmos em campo os jovens de Inharrime e de Maputo, estamos a enviar uma mensagem clara: o ponto de partida não limita o ponto de chegada. O legado intemporal de Matateu e Vicente Lucas prova que o talento nascido nas nossas terras tem asas para voar globalmente. Levar este evento para Inharrime é um acto de justiça territorial. Queremos que a província de Inhambane vibre e que esta Taça seja o motor que revela ao país o pulsar do futebol que cresce fora das grandes capitais.”
Um chamamento à indiferença corporativa
Com os olhos postos no futuro, a organização lançou um apelo estratégico e agressivo ao tecido empresarial nacional e internacional. O projecto recusa ser visto como um mero pedido de caridade, posicionando-se como um activo de alto valor reputacional.
“Dirijo-me às marcas e instituições que dizem acreditar no poder transformador do desporto: juntem-se a nós. Apoiar a Taça Matateu e Vicente Lucas não é uma acção de patrocínio passiva; é um investimento directo e mensurável no capital humano de Moçambique. É associar marcas a valores de excelência e superação. Precisamos de parceiros audazes para garantir que esta primeira edição seja o alicerce de uma tradição anual indestrutível”, desafiou o Dr. Enoque João.

Alianças estratégicas no terreno
Pelo lado dos parceiros no terreno, o entusiasmo reflecte a urgência do projecto. Álvaro Garcia, Presidente da FASI – instituição focada no resgate de rapazes e raparigas em situação de extrema vulnerabilidade e que se encontra em plena expansão para as 11 províncias do país, sublinhou o alinhamento total da missão: “Integrar esta primeira edição é uma honra. Esta iniciativa é crucial para o futuro do desporto moçambicano e toca no coração daquilo que fazemos: transformar vidas através da bola”.


Santos Maulela, Presidente da Associação Desportiva de Nhamiba (ADN), destacou o impacto directo na periferia: “Esta parceria com a Casa de Moçambique em Portugal vem transformar o nosso clube. Vai potenciar o trabalho de formação que já fazemos muito bem em Inharrime, dando ferramentas reais para que os nossos jovens possam alcançar palcos nacionais e internacionais. Queremos devolver a esperança às nossas comunidades”.
O evento de segunda-feira dita o início da contagem decrescente para o histórico 25 de Setembro, onde Inharrime será a capital do futebol de base moçambicano.
