Lourenço Dias defende aliança entre PME e escolas de negócios

A entrega de um pacote de propostas ao Presidente da República, Daniel Chapo, para melhorar o ambiente de negócios das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) constitui um passo importante, mas insuficiente para garantir a transformação do tecido empresarial moçambicano. A posição é defendida pelo presidente da Escola Superior de Gestão Corporativa e Social (ESGCS/CBS), Professor Doutor Lourenço Dias da Silva, que considera essencial reforçar a ligação entre as associações empresariais e as instituições de ensino especializadas em gestão e inovação.

O comentário surge na sequência da participação de Daniel Chapo no EurAfrican Forum, em Cascais, Portugal, onde o Chefe de Estado apresentou Moçambique como um destino de investimento e reforçou o compromisso do Governo com reformas económicas e a promoção do sector privado. Paralelamente, o Presidente recebeu um conjunto de medidas propostas pela Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), destinadas a criar melhores condições para o crescimento das MPME, o aumento do emprego e o fortalecimento da competitividade empresarial.

Na sua análise, Lourenço Dias da Silva alerta que recorrer ao Presidente da República como principal canal para resolver os constrangimentos das pequenas e médias empresas não é, por si só, uma estratégia sustentável. Para o académico, o desenvolvimento empresarial exige uma abordagem mais estruturada, assente na criação de mecanismos permanentes de conectividade entre as PME, as associações empresariais e as Business Schools.

“Não chega recorrer ao Presidente da República como pressuposto de obter resposta para criar conectividade com as PME e posicionar o tecido empresarial”, sustenta o presidente da ESGCS/CBS, defendendo que as associações comerciais devem assumir um papel mais activo na mobilização das empresas para programas de capacitação, investigação aplicada, inovação e desenvolvimento de competências de gestão.

Segundo o especialista, as escolas de negócios dispõem de conhecimento técnico e científico capaz de apoiar as empresas na definição de estratégias, na melhoria da governação corporativa, na internacionalização dos negócios e na adaptação às exigências dos mercados globais. Na sua perspectiva, aproximar o meio académico do sector empresarial permitirá transformar boas intenções políticas em resultados concretos para a economia nacional.

A reflexão surge num momento em que o Executivo procura reforçar o papel das MPME como motor da diversificação económica e da criação de emprego. Durante a sua visita oficial a Portugal, Daniel Chapo reiterou que o crescimento sustentável de Moçambique depende de um sector privado mais competitivo, capaz de aproveitar as oportunidades geradas pelos grandes investimentos e pelas parcerias internacionais.

Para Lourenço Dias da Silva, esse objectivo apenas será alcançado se existir uma colaboração contínua entre o Estado, as associações empresariais, as instituições académicas e o sector privado, criando um ecossistema onde a formação, a inovação e a gestão baseada no conhecimento se tornem pilares do crescimento sustentável das empresas moçambicanas.

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Categoria: Sociedade

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