UP-Maputo impulsiona cooperação lusófona em Macau
A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) defendeu o reforço das relações interuniversitárias como instrumento estratégico para aprofundar a cooperação científica, cultural e académica entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa, durante a 4.ª Edição do Fórum dos Reitores das Instituições do Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa, que decorre de 15 a 17 de Junho, em Macau, Região Administrativa Especial da República Popular da China.
A posição foi apresentada pelo Reitor da UP-Maputo, Jorge Ferrão, que participou no encontro realizado em simultâneo com o 35.º Encontro Anual da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), evento que reúne dirigentes universitários, académicos e representantes de instituições de ensino superior da China, de Macau e dos países lusófonos para debater o fortalecimento da cooperação académica, científica e institucional.

Na sua intervenção, Ferrão sustentou que as universidades assumem actualmente um papel cada vez mais determinante na procura de soluções para desafios globais como as alterações climáticas, a segurança alimentar, as migrações, as pandemias, a inteligência artificial e as desigualdades sociais. Defendeu, por isso, que a cooperação entre instituições de ensino superior deixou de ser um elemento complementar da actividade académica para se tornar uma componente central da sua missão.
Segundo o académico, nenhuma universidade dispõe, isoladamente, dos recursos e das competências necessários para enfrentar os desafios contemporâneos, tornando indispensável a criação e consolidação de redes de cooperação capazes de fortalecer o ensino, impulsionar a investigação científica e ampliar o impacto social das instituições.
O Reitor destacou igualmente o papel de Macau–Hengqin como plataforma privilegiada para a cooperação internacional, sublinhando que a região reúne características únicas que a posicionam como ponto de ligação entre a China e os países de língua portuguesa. Referiu que a integração de Macau na Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau reforça a sua vocação enquanto centro de inovação tecnológica, investigação científica e desenvolvimento económico, capaz de aproximar universidades de diferentes continentes.
Durante a comunicação, Ferrão atribuiu especial relevância à língua portuguesa, classificando-a como um instrumento fundamental de aproximação entre povos, culturas e instituições. Recordou que o idioma é falado por mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes, representando uma vantagem estratégica para a cooperação universitária, a produção científica conjunta, a mobilidade académica e o diálogo intercultural.
No domínio da cooperação para o desenvolvimento sustentável, o responsável identificou áreas prioritárias para futuras parcerias entre Macau–Hengqin e os países lusófonos, destacando a formação de professores, as tecnologias digitais, a inteligência artificial, a agricultura sustentável, a segurança alimentar, as energias renováveis, a gestão ambiental, a economia azul, o planeamento urbano sustentável, a diversidade linguística e a inclusão social.
Ao apresentar a experiência da UP-Maputo, Ferrão afirmou que a instituição tem consolidado uma estratégia de internacionalização baseada na cooperação, na reciprocidade e na construção conjunta do conhecimento. Defendeu que as parcerias mais eficazes são aquelas que assentam no respeito mútuo, na confiança institucional e na definição de objectivos comuns.
Perante um auditório que integrou, entre outros participantes, representantes da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade Rovuma e da Universidade Save, o Reitor reiterou que a cooperação internacional deve ser encarada como uma ferramenta de reforço das capacidades institucionais, promoção da excelência científica e contribuição para o desenvolvimento das sociedades. Nesse contexto, manifestou a disponibilidade da UP-Maputo para aprofundar as suas relações académicas com universidades de Macau–Hengqin e de outros países de língua portuguesa.
Apesar das oportunidades existentes, Ferrão alertou para diversos constrangimentos que continuam a limitar uma cooperação universitária mais robusta, apontando as restrições de financiamento, as assimetrias de capacidade institucional, as barreiras linguísticas e tecnológicas, a necessidade de maior articulação entre investigação e políticas públicas e os desafios relacionados com a sustentabilidade dos programas de cooperação a longo prazo.
Na conclusão da sua intervenção, o Reitor da UP-Maputo reafirmou que as universidades são instituições vocacionadas para o diálogo, o encontro e a construção colectiva do conhecimento. Defendeu que o fortalecimento dos laços entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa representa um investimento não apenas na cooperação académica, mas também na construção de um futuro comum assente na inovação, no conhecimento e no respeito pela diversidade cultural e linguística.
A participação da Universidade Pedagógica de Maputo no Fórum reforça o compromisso da instituição com a internacionalização do ensino superior, a cooperação científica, a mobilidade académica e a valorização da língua portuguesa como espaço de produção de conhecimento e promoção do desenvolvimento sustentável.

Deixe um comentário