DURANTE VISITA NA CBS-ESGCS – Waldemar de Sousa alerta para riscos do populismo económico
A Escola Superior de Gestão Corporativa e Social (EGCS|CBS) recebeu esta quarta-feira, 13 de Maio de 2026, a visita do professor Waldemar de Sousa, antigo administrador do Banco de Moçambique, que defendeu a necessidade de o país adoptar políticas monetárias ajustadas à sua realidade económica e alertou para os riscos de um modelo de taxa de câmbio fixa numa economia marcada pela escassez de divisas.
Durante a sua intervenção na instituição, realizada pelas 11h00, Waldemar de Sousa afirmou que Moçambique deve reconhecer a dimensão da sua pobreza estrutural para evitar decisões económicas desajustadas. Segundo o académico e gestor económico, um regime cambial rígido poderá agravar os problemas económicos do país, corroendo a capacidade de crescimento sustentável.

“É necessário ter um regime adequado à dimensão da nossa pobreza e respeitar a verdade dessa pobreza, algo que muitas vezes os políticos não fazem”, declarou o antigo administrador do banco central, acrescentando que um país com escassez estrutural de moeda estrangeira não deve adoptar uma política de taxa de câmbio fixa.
Na sua análise, o professor apontou vários factores que, na sua visão, tornam inviável esse modelo, entre os quais a insuficiência de reservas em moeda estrangeira, a limitada disponibilidade cambial, a escassez de capital para investimento e o reduzido crescimento das exportações, situação que favorece o aumento das importações e pode conduzir ao estrangulamento da economia nacional.

O encontro decorreu num ambiente de reflexão académica e institucional, tendo o visitante sido recebido pelo professor Lourenço Dias, director-geral da CBS-ESGCS, que apresentou o percurso histórico da instituição, desde a sua criação até à sua consolidação como escola superior orientada para a gestão corporativa e social.
No final da apresentação, Lourenço Dias questionou o convidado sobre a possibilidade de um modelo de política monetária flutuante, dinâmica e flexível evoluir para um sistema mais estático. Em resposta, Waldemar de Sousa alertou para o perigo do populismo económico, fenómeno que, segundo afirmou, ocorre com maior frequência em países pobres.
Ao longo da visita, o académico interagiu igualmente com parceiros e colaboradores da instituição, tendo escutado a intervenção do professor Plínio Fonseca, que apresentou a missão, as actividades actuais e os objectivos estratégicos da escola.

Num momento de diálogo aberto, uma colaboradora da instituição questionou o antigo administrador sobre os erros de conformidade mais frequentes nas organizações e o papel da auditoria interna na prevenção desses problemas. Em resposta, Waldemar de Sousa defendeu a transparência como principal instrumento de fortalecimento institucional.
“A transparência é a melhor solução para a debilidade”, afirmou, acrescentando que os auditores, internos ou externos, devem ser encarados como profissionais que contribuem para melhorar a gestão das empresas.

O professor sublinhou ainda que os gestores devem respeitar as recomendações dos auditores, mesmo quando estas não sejam bem recebidas, defendendo que a divulgação dos factos patrimoniais é essencial para reforçar a confiança nas instituições.
“Quanto mais informação é fornecida, mais a confiança nasce e aumenta”, concluiu, defendendo mecanismos permanentes de controlo, equilíbrio e correcção para evitar que prejuízos empresariais se tornem permanentes.

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