Valá alerta para risco de crescimento sem inclusão

Moçambique voltou a debater esta semana os desafios da nova crise económica, durante a apresentação da segunda edição do livro “Economia de Moçambique e os Desafios da Nova Crise”, de Ibraimo Mussagy. No evento, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, assumiu a posição central do debate, defendendo que o país só ultrapassará o actual contexto se reforçar as instituições, corrigir vulnerabilidades estruturais e adoptar um modelo de crescimento inclusivo. O governante alertou que “crescer sem incluir é regredir disfarçadamente”, sublinhando que um desenvolvimento segmentado exclui grandes franjas da população e aumenta a exposição da economia a choques.

Valá destacou a pertinência da obra num momento em que Moçambique enfrenta pressões sociais, fiscais, cambiais e produtivas, que exigem análise rigorosa e responsabilidade colectiva. Considerou que o livro de Mussagy desempenha um papel essencial ao oferecer um diagnóstico abrangente, colocar questões centrais e convocar todos os sectores para um debate informado sobre o futuro económico do país.

O Ministro defendeu que a crise deve ser enfrentada com maturidade, observando que reconhecer as dificuldades não representa pessimismo, mas um acto de responsabilidade. Sublinhou que apenas com uma leitura transparente da realidade será possível transformá-la, alinhando-se com a tese de Mussagy de que as políticas públicas devem assentar em diagnósticos reais e não em narrativas desejáveis, mas desajustadas.

Na sua intervenção, Valá referiu ainda que a obra não se limita ao diagnóstico, apresentando caminhos de reforma estrutural como o fortalecimento institucional, a disciplina fiscal, a diversificação económica, a melhoria da governação, o investimento mais eficiente e o planeamento de longo prazo. Estas propostas, afirmou, convergem com a agenda do Governo para estabilizar e transformar a economia, exigindo um compromisso geracional com a qualidade das políticas públicas e a responsabilização institucional.

O Ministro reforçou que o debate sobre a crise não deve ser exclusivo de especialistas, mas envolver toda a sociedade, uma vez que as soluções dependem de responsabilidade colectiva. Concluiu afirmando que o livro de Mussagy é uma ferramenta prática para orientar decisões públicas e privadas e um convite à acção, defendendo que a superação da crise exige menos discursos e mais reformas concretas, coerência institucional e crescimento com inclusão.

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Categoria: CulináriaEconomia

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