Smartphonezação: o Novo Motor das PME’s

Num mundo em que a competitividade económica é cada vez mais ditada pela velocidade da conectividade e pela inteligência dos dados, o Professor Doutor, Lourenço Dias da Silva, Director-Geral da Escola Superior de Gestao Corporativa e Social (ESGCS), defende que o futuro das Pequenas e Médias Empresas (PME’s) passa, inevitavelmente, pela sua “domiciliação no smartphone”. Para o académico, crescer num contexto global já não depende apenas de capital ou escala, mas sobretudo da capacidade de sentir e saber usar a tecnologia como extensão natural do negócio.

Segundo Lourenço Dias da Silva, a combinação entre redes 4G e 5G, conectividade permanente e inteligência artificial criou um novo paradigma económico: o da deslocalização digital. “Hoje, uma empresa pode operar, vender, prestar serviços e aprender a partir de um simples smartphone. É isto que chamo de smartphonezação ou smartphoneglobalização”, sustenta o professor, sublinhando que esta realidade não é futurista, mas já estruturante da economia global.

A tecnologia como base da competitividade

O académico enquadra esta transformação num quadro jurídico e político que, em Portugal e na Europa, começa a reconhecer o digital como dimensão essencial dos direitos e do desenvolvimento. A Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital (Lei n.º 27/2021), o Pacto das Competências Digitais aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 216/2025 e a Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA), alinhada com a Estratégia Digital Nacional 2024-2030, são, para Lourenço Dias da Silva, instrumentos que revelam que o problema já não é a falta de normas, mas sim a falta de capacidade efectiva de apropriação tecnológica.

Nesse contexto, o professor propõe a sua própria fórmula de resolução do problema, desenvolvida em 2023, assente numa tríade estratégica: Cátedra 4G e 5G, Corporate Business School (CBS) e Sustentabilidade, articuladas através da deslocalização, smartphonezação e conectividade. Trata-se de um modelo que visa transferir simultaneamente conhecimento e poder, ligando o ambiente académico ao mundo empresarial de forma prática e mensurável.

Democratização de dados: oportunidade ou risco?

A partir desta matriz, Lourenço Dias da Silva coloca duas questões centrais ao debate contemporâneo. A primeira prende-se com a democratização dos dados: poderá ela ser um factor de inclusão da procura qualificada e, por conseguinte, de vantagem competitiva, ou transforma-se num factor de risco, se for mal governada? A segunda interroga o papel do smartphone como ferramenta de metodologia híbrida, capaz de unir academia e empresa num mesmo ecossistema de aprendizagem e produção.

Nesta linha, o professor alinha-se com o pensamento de Nelson António, professor catedrático do ISCTE-IUL, para quem a smartphonezação pode acelerar o processo de deslocalização e de criação de novos modelos de negócio. Para Lourenço Dias da Silva, trata-se de reconhecer que “o smartphone deixou de ser apenas um dispositivo; é hoje uma plataforma de soberania económica pessoal e empresarial”.

Sentir e saber: uma epistemologia digital

A reflexão do académico vai, contudo, além da tecnologia. Lourenço Dias da Silva introduz uma dimensão epistemológica, que designa por “Sentir e Saber”. Na sua leitura, muitas falhas na inovação e na aprendizagem resultam da “ausência de significado”, da incapacidade de observar a realidade com o rigor de um ourives que trabalha a filigrana. “Só quando percebemos que não sabemos aquilo que nem sequer sabemos que existe é que começa o verdadeiro posicionamento científico”, defende.

A aprendizagem, acrescenta, é um processo de historialização cultural que distingue os seres humanos e que obriga a um constante exercício de rectificação e calibração. Num mundo digital, este processo torna-se ainda mais exigente, porque o conhecimento se move à velocidade das redes e das plataformas.

Um desafio também para Moçambique

As ideias de Lourenço Dias da Silva encontram eco no debate sobre os países em desenvolvimento, como Moçambique, onde a expansão do 4G e do 5G, a formação em Corporate Business School e a sustentabilidade digital são vistos como pilares de soberania económica. Para os decisores políticos, a mensagem é clara: sem conectividade, literacia digital e instituições de conhecimento fortes, não há inclusão, não há competitividade nem transição energética viável.

No centro desta visão está uma convicção simples, mas profunda: a economia do futuro já cabe na palma da mão. Para as PME’s, para os Estados e para os cidadãos, o smartphone deixou de ser um acessório. Tornou-se o novo domicílio do negócio, do saber e do poder.

Um comentário a “Smartphonezação: o Novo Motor das PME’s”

  1. Avatar de Maria do Céu Pata
    Maria do Céu Pata

    Muito grata pela reflexão e sintese permanente de sua accão e da CBS.
    Levar todo conhecimento a todos numa Escola Aberta.
    A smartephonização tem este papel de globalizacão.
    Bem-haja Professor Lourenço Dias da Silva

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Categoria: Tecnologia

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