Prima facie, de Suzie Miller faz últimas apresentações em Moçambique sob direcção de Expedito Araujo e apoio do BCI
Depois de conquistar o público e esgotar plateias, a aclamada peça de Suzie Miller despede-se de Maputo numa temporada final e imperdível. No Mês da Mulher Moçambicana, o palco do IGR-Maputo transforma-se no tribunal onde a justiça e o género se enfrentam.




O teatro em Maputo tem tido um nome próprio nos últimos meses: Tessa. Mas não é uma Tessa qualquer. São onze. A peça “Prima Facie”, um fenómeno global da autoria da australiana Suzie Miller, prepara-se para a sua derradeira temporada em solo moçambicano, de 24 a 26 de Abril, no Instituto Guimarães Rosa (IGR-Maputo). Sob a batuta experiente de Expedito Araujo, que celebra 30 anos de uma carreira ímpar e premiada, esta última edição promete ser o culminar de uma jornada emocional que já mobilizou mais de mil espectadores em Maputo.



Uma Encenação Única no Mund
Se na Broadway ou no West End a força da peça residia num monólogo solitário, em Moçambique a ousadia foi maior. Expedito Araujo reuniu 11 actrizes de quatro nacionalidades (Moçambique, Portugal, Itália e Espanha) para dar corpo e voz às múltiplas facetas de uma advogada que vê o seu mundo desmoronar ao enfrentar o sistema que ela própria defendia.
“A peça evidencia a universalidade da violência de género e a fragilidade do sistema judicial”, destaca o encenador brasileiro, reforçando que este regresso, em pleno Mês da Mulher Moçambicana, é um grito necessário pela justiça.



A Voz do Apoio: BCI e a Cultura “No Feminino”.

Numa obra desta envergadura, o apoio institucional é o oxigénio que permite à arte respirar. O BCI, que este ano celebra o seu 30.º aniversário, assumiu um papel central nesta produção. Em conversa exclusiva, a Directora de Marketing do BCI, Ana Zara Fateally, partilhou a visão do banco sobre esta parceria estratégica.
Para Ana Zara Fateally, a coincidência entre as três décadas do banco e a última edição da peça em Maputo é um reflexo da maturidade da instituição: “Esta peça, que discute a justiça e a condição feminina, espelha os valores que o BCI construiu nestas três décadas. Olhamos para esta coincidência como um reforço do nosso compromisso com temas estruturantes da sociedade,” afirma a Directora.
Questionada sobre o foco na cultura “no feminino”, Fateally sublinha que o objectivo vai além da promoção artística: “Privilegiamos uma obra que exige uma reflexão profunda sobre a igualdade de oportunidades. Queremos que a arte seja um veículo para educar e sensibilizar, indo muito além do mero entretenimento.”
O Elenco que Deixa Saudades








As actrizes Ana Fernandes, Carmen Alcobio, Catarina Caetano, Celma Costa, Gina Montserrat, Giselda de Castro, Inês Santos, Mar Correia, Neira Gafur, Tânia Nobre e Tina Lorizzo trazem uma textura multicultural à obra, traduzida para a nossa realidade por Ana Mesquita. É uma simbiose que raramente se vê nos palcos da capital e que agora tem os seus dias contados.
Do Palco para a Sétima Arte?

Enquanto as cortinas se preparam para fechar esta última edição em Maputo, o legado de “Prima Facie” parece estar longe de terminar. No corredor dos grandes sucessos internacionais, corre o rumor e a expectativa de que a densidade dramática desta peça possa, em breve, saltar do palco para o grande ecrã. A transformação da peça num filme é uma possibilidade que ganha força, prometendo imortalizar a luta de Tessa e a visão de encenadores como Expedito Araujo para um público ainda mais vasto.
Para já, resta-nos o privilégio do “ao vivo”. Se ainda não sentiu o impacto desta história, a última oportunidade bate à porta. Maputo despede-se de “Prima Facie”, mas a discussão sobre a justiça feminina, essa, continuará a ecoar bem depois do último aplauso.
SERVIÇO:

Local: Auditório Vinícius de Moraes (IGR-Maputo)
Datas: 24 a 26 de Abril
Direcção: Expedito Araujo
Informações: Tel. WhatsApp 842975844
