Paulo oliveira enfrenta um “verdadeiro dia de Dakar “na etapa2
A Etapa 2 do Rally Dakar voltou a provar porque esta é considerada a prova mais dura do desporto motorizado mundial. Paulo Oliveira e a sua equipa viveram esta segunda-feira um dia intenso, técnico e exigente, marcado por dificuldades mecânicas, muito pó, pedras traiçoeiras e dunas implacáveis num percurso de 500 quilómetros, dos quais 400 foram cronometrados. Logo nos primeiros 10 quilómetros, um tubo do radiador furado e outro pneu bastante degradado obrigando a uma paragem prolongada que penalizou o tempo da equipaquando o ritmo era promissor, surgiu o primeiro contratempo: um furo que custou cerca de 15 minutos preciosos. A dureza do terreno não deu tréguas e, na primeira assistência, novos problemas surgiram

Na segunda metade da etapa, o desafio mudou de forma, mas não de intensidade. O pó tornou-se o principal adversário. A visibilidade era mínima e, em muitos troços, praticamente inexistente, dificultando ultrapassagens e obrigando Paulo Oliveira a gerir o risco com prudência, avançando lentamente durante vários quilómetros.
Já nas dunas finais, quando o desgaste físico e mental era evidente, o espírito do Dakar falou mais alto. Paulo e a sua equipa pararam para ajudar um concorrente que se encontrava atolado, perdendo mais alguns minutos, mas reforçando o verdadeiro valor da prova: ninguém fica para trás.
A chegada ao bivouac aconteceu já de noite cerrada. Apesar de o relógio marcar pouco depois das 20h30, no deserto a noite cai cedo e de forma abrupta. “Foi um verdadeiro dia de Dakar”, resumiu Paulo Oliveira, visivelmente cansado, mas confiante.

Apesar de todos os contratempos, a equipa manteve a posição na classificação geral e acredita que, se nada correr mal nas próximas etapas, será possível recuperar alguns lugares. Amanhã, o desafio cresce ainda mais, com cerca de 700 quilómetros pela frente.
“O grande objectivo é chegar ao fim”, sublinha Paulo Oliveira, com humildade e realismo. “Estamos a competir com grandes equipas, grandes orçamentos e pilotos que treinam todos os anos. Só por estarmos aqui já somos uns privilegiados.”
Entre a dureza do percurso, a superação pessoal e o espírito solidário, Paulo Oliveira continua a escrever a sua história no Dakar uma prova onde resistir é tão importante quanto competir.


