Moiana lança “As Lágrimas do Rio Chilovecane

O jornalista moçambicano Azael Moiana estreou-se no universo literário com o lançamento do livro “As Lágrimas do Rio Chilovecane”, na quarta-feira, 29 de Outubro de 2025, em Maputo. A obra resgata a memória ancestral da localidade de Taninga, no distrito da Manhiça, província de Maputo, através de uma narrativa simbólica, poética e profundamente enraizada na história e na espiritualidade da região.

O livro, editado pela Kuphaya, surge da necessidade do autor de registar as memórias da sua comunidade, partindo das narrativas que ouviu na infância. A obra entrelaça mito, história e espiritualidade, abordando temas como a relação do homem com a natureza, a preservação da memória colectiva e a tensão entre tradição e modernidade. O prefácio foi escrito pelo ensaísta e editor Cremildo Bahule, enquanto a apresentação da obra ficou a cargo do decano do jornalismo moçambicano, Salomão Moyana.

Durante a cerimónia, Moiana descreveu a obra como um gesto de retorno às origens e de reconstrução das páginas da história de Moçambique. “As Lágrimas do Rio Chilovecane é a comemoração dos rios que falam, das vozes que resistem e dos tambores que nunca se calam. Ao apresentar este livro, lanço um gesto de reconhecimento à minha família, aos amigos e, sobretudo, aos meus pais, cujas vozes se calaram”, afirmou o autor.

O académico Jorge Ferrão, reitor da Universidade Pedagógica de Maputo e apresentador da obra, destacou que Moiana se insere numa linhagem literária moçambicana que inclui nomes como Mia Couto, Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa. Segundo Ferrão, a obra distingue-se pela coesão simbólica e pelo cuidado arquitectónico da narrativa, em que cada micro-conto funciona como uma “conta num colar mito-poético” que ganha sentido na sua totalidade.

Azael Moiana é licenciado em Filosofia pela Universidade Pedagógica, em Direito pela Unisced, e possui um Mestrado em Gestão dos Media Digitais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

O lançamento contou com a parceria da concessionária do Porto da Beira, CdM-Cornelder de Moçambique, reforçando o compromisso cultural e comunitário em torno da obra.

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Categoria: Cultura

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