Moçambique leva agenda económica ao Dubai

Moçambique apresentou na Cimeira Mundial de Governos, no Dubai, a sua agenda de transformação económica, defendendo a monetização disciplinada de activos soberanos, o reforço da credibilidade institucional e a digitalização do Estado como pilares essenciais para atrair capital global de longo prazo, num contexto internacional marcado por forte concorrência por investimento, volatilidade económica e rápida evolução tecnológica.

A posição foi transmitida pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, que liderou a delegação moçambicana em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, ausente do encontro devido às cheias severas que afectaram várias regiões do país. Na sua intervenção, a governante sublinhou que a permanência do Chefe do Estado em território nacional reflecte a prioridade dada à resposta a emergências climáticas e humanitárias, desafios estruturais que continuam a influenciar o percurso de desenvolvimento de Moçambique.

A participação do país teve lugar no quadro da Cimeira Mundial de Governos, um dos mais relevantes fóruns internacionais de reflexão estratégica sobre governação, políticas públicas e transformação económica, criado pelo Governo dos Emirados Árabes Unidos e que reúne anualmente chefes de Estado e de Governo, ministros, líderes empresariais, decisores financeiros, académicos e representantes de organizações multilaterais. Para além da dimensão política, o encontro afirma-se como uma plataforma de influência estratégica onde se discutem reformas económicas, financiamento do desenvolvimento, inovação institucional e a relação entre o sector público, o sector privado e os mercados de capitais globais.

Neste contexto, Moçambique procurou projectar uma narrativa de ambição económica assente no pragmatismo, apresentando-se como um país detentor de activos estratégicos relevantes, mas consciente da necessidade de reforçar a credibilidade, a previsibilidade regulatória e a capacidade de execução para captar investimento sustentável. A Primeira-Ministra destacou que o principal desafio já não reside na identificação do potencial económico, mas na transformação efectiva dos recursos em valor económico duradouro.

Entre os activos estratégicos apontados figuram as reservas de gás natural, os portos e corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, o agronegócio, as pescas, os minerais críticos com particular destaque para a grafite, bem como a economia azul e o turismo sustentável. Segundo o Executivo, muitos destes activos permanecem subvalorizados devido a limitações institucionais e de governação, situação que o país pretende corrigir através de reformas estruturais.

A governante frisou que a simples existência de recursos não é suficiente para atrair capital internacional, defendendo que a confiança dos investidores depende sobretudo da estabilidade institucional, da transparência, da previsibilidade das regras e da mitigação eficaz dos riscos. Nesse sentido, Moçambique aposta numa abordagem orientada pelo mercado, baseada em parcerias transparentes, no fortalecimento dos quadros regulatórios e na criação de mecanismos específicos de redução de risco capazes de responder às exigências dos investidores institucionais globais.

Para sustentar essa mensagem de credibilidade, foram apresentados exemplos concretos de execução, incluindo a retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, com cerca de 40% das obras concluídas e um financiamento estimado em 14 mil milhões de dólares. Foram igualmente referidos o projecto Rovuma LNG, da ExxonMobil, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, dois projectos da ENI estimados em 15 mil milhões de dólares, e uma nova parceria hidroeléctrica com a Electricité de France e a Sumitomo, no valor aproximado de cinco mil milhões de dólares, orientada para a expansão da produção de energia limpa.

Outro eixo central da intervenção foi a digitalização do Estado, apresentada como uma reforma estrutural indispensável para reduzir a burocracia, aumentar a transparência e melhorar a eficiência governativa. De acordo com o Executivo, a adopção de tecnologias digitais e de soluções baseadas em inteligência artificial deverá aproximar o Estado do cidadão, melhorar o ambiente de negócios e reforçar a confiança dos investidores, num cenário global cada vez mais competitivo.

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Categoria: Economia

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