LMF pondera modelo alternativo para o Moçambola 2026

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) confirmou recentemente que está a ponderar a introdução de um modelo alternativo de competição para o Moçambola 2026, na sequência das dificuldades financeiras que impediram a conclusão da edição de 2025 do Campeonato Nacional.

Em conferência de imprensa, o presidente da LMF, Alberto Simango Júnior, explicou que a época terminou prematuramente, quando ainda faltavam três jornadas por disputar, devido sobretudo à incapacidade de assegurar o transporte aéreo das delegações desportivas.

“O principal constrangimento foi o transporte aéreo. Não conseguimos reunir recursos suficientes para pagar as passagens das delegações”, afirmou Simango Júnior, sublinhando que a situação gerou um intenso debate a nível nacional sobre a sustentabilidade do actual modelo competitivo.

Actualmente, o Moçambola é disputado no sistema de todos contra todos, com deslocações aéreas frequentes entre diferentes pontos do país, o que representa custos elevados para clubes e organização. Segundo o dirigente, apesar de este continuar a ser considerado o modelo ideal do ponto de vista desportivo, a experiência recente obriga a Liga a reflectir sobre alternativas.

“Todos acham que o melhor modelo é o actual. Todavia, pela experiência que tivemos, achamos que é a altura de começar a reflectir num modelo alternativo, que possa trazer melhores resultados em termos de gestão da prova”, explicou.

Proposta em análise pelos clubes

A direcção da LMF apresentou já uma proposta preliminar aos clubes filiados, que solicitaram mais tempo para analisar o documento. De acordo com Simango Júnior, até 20 de Janeiro deverá haver uma decisão quanto ao caminho a seguir.

“Submetemos uma proposta aos clubes e eles pediram tempo para reflectir. Durante o mês de Janeiro vamos constituir uma comissão que irá aprofundar este debate”, disse.

Embora sem entrar em detalhes definitivos, o presidente da Liga revelou que a proposta inicial passa por uma divisão do campeonato em três zonas – Sul, Centro e Norte, com cerca de seis clubes por zona, reduzindo assim os custos logísticos associados às deslocações.

“É um modelo que está a ser cozinhado, ainda não dá para servir. Os clubes vão aprimorar a proposta e depois veremos qual será a melhor decisão”, esclareceu.

Decisão dependerá da Federação

Simango Júnior fez questão de frisar que se trata de um projecto da Liga, mas que qualquer novo modelo terá de ser submetido à homologação da Federação Moçambicana de Futebol.

Questionado sobre se se trataria de uma competição regional, o dirigente evitou essa designação, sublinhando que nenhuma decisão formal foi ainda tomada.

“Não quero sublinhar como prova regional, porque isso não foi aprovado. O que existe é uma reflexão em curso”, afirmou.

Futebol em alta, desafios na gestão

O anúncio surge num momento paradoxal para o futebol moçambicano: enquanto a selecção nacional vive um período histórico, com apuramento para a segunda fase de uma grande competição continental, o futebol interno enfrenta sérias dificuldades organizativas.

“É um momento feliz para o nosso futebol, porque a selecção está a ganhar e isso orgulha a nação. Mas, como fazedores do futebol, temos de garantir que o nosso campeonato decorra sem sobressaltos”, concluiu Alberto Simango Júnior.

A decisão final sobre o formato do Moçambola 2026 deverá ser conhecida ainda neste mês de Janeiro, após a conclusão das consultas com os clubes.

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Categoria: Desporto

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