Inteligência Artificial no Centro da Estratégia da CBS
A pertinência e o impacto das iniciativas da Escola Superior de Gestão Corporativa e Social (CBS-ESGCS) estiveram no centro de um diálogo institucional entre o seu presidente, Lourenço Dias da Silva, e o Professor Doutor Gouveia Santos, numa reflexão orientada para o posicionamento estratégico da instituição na era da Inteligência Artificial (IA). A questão foi lançada de forma directa e provocatória por Lourenço Dias da Silva: “Será que o que a CBS vem fazendo é lixo?”
A interpelação surge num contexto em que a CBS reforçou recentemente a sua infraestrutura tecnológica e organizacional. A instituição passou a beneficiar de hospedagem na Microsoft, detém 10.000 licenças digitais, estruturou o seu dossier digital alinhado com os princípios da Indústria 4.0 e orienta-se pela Circunferência de Andries Klumpenaar, modelo que privilegia abordagens sistémicas e integradas de gestão e inovação.
Perante a provocação, o Professor Doutor Gouveia Santos respondeu com uma reflexão estruturada, sublinhando que a dúvida não deve ser entendida como fragilidade, mas como oportunidade estratégica. No seu entender, a CBS tem desempenhado um papel “proativo e brilhante” na consciencialização da importância do digital para o desenvolvimento económico e para o bem-estar humano, acelerando a evolução do conhecimento e a divulgação de conteúdos estratégicos em múltiplas áreas.
Ainda assim, considerou legítimo questionar se as abordagens desenvolvidas no domínio da Inteligência Artificial são suficientemente profundas e úteis ou se correm o risco de se tornarem dispersas e superficiais. Para responder a esse desafio, apontou duas linhas de acção complementares.
A primeira passa pelo aprofundamento científico, defendendo a consolidação de investigação rigorosa em IA aplicada, com metodologias sólidas e resultados verificáveis, bem como o reforço de parcerias académicas e institucionais que sustentem a credibilidade científica da CBS.
A segunda incide no avanço do “Estado da Arte” sectorial, propondo que a escola contribua activamente para a aplicação prática da Inteligência Artificial em sectores estratégicos da economia moçambicana, promovendo uma visão holística e intersectorial capaz de maximizar impactos e evitar esforços isolados.
Neste quadro, Gouveia Santos sugeriu a criação de um “Guichê do Estado da Arte” dos sectores estratégicos de Moçambique. A plataforma reuniria informação consolidada e actualizada, estudos comparativos e casos práticos de aplicação da IA em áreas como energia, mineração, agricultura, saúde e educação, funcionando como referência para decisores públicos, investigadores e empreendedores.
Lourenço Dias da Silva acolheu a proposta como um caminho para transformar a provocação inicial numa afirmação estratégica. Ao questionar se o trabalho desenvolvido seria “lixo”, o presidente da CBS procurou estimular uma cultura interna de exigência, autoavaliação e melhoria contínua.
O diálogo evidencia uma instituição que, ao invés de se acomodar aos avanços tecnológicos já alcançados, nomeadamente a robusta base digital assegurada pela parceria com a Microsoft e pela aposta na Indústria 4.0, procura reposicionar-se como hub de conhecimento e inovação aplicada, com foco na utilidade, credibilidade e impacto mensurável.
A CBS reafirma, assim, a ambição de liderar o debate e a aplicação estratégica da Inteligência Artificial em Moçambique, defendendo que o verdadeiro desafio não está em questionar o passado, mas em estruturar o futuro com base científica, visão sistémica e compromisso com o desenvolvimento económico e social do país.

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