“Gazene” ameaça centro e sul de Moçambique

Estima-se que cerca de um milhão de pessoas possam ser afectadas pelo ciclone tropical “Gazene”, previsto para atingir a costa moçambicana, em particular as províncias de Inhambane, Gaza e Sofala, entre sexta-feira e sábado. O sistema, actualmente sobre Madagáscar como tempestade tropical, deverá perder intensidade naquele território, mas ao entrar no Canal de Moçambique poderá evoluir para ciclone tropical.

Acácio Tembe, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), informou que “Gazene” se aproxima da costa moçambicana, com maior probabilidade de incidência sobre a província de Inhambane. Durante a IV reunião do Conselho Técnico do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Tembe acrescentou que o ciclone será acompanhado por ventos de até 120 quilómetros por hora e chuvas intensas.

O especialista alertou ainda que, nos próximos 14 dias, as regiões centro e norte do país poderão registar cenários semelhantes de precipitação intensa, afectando as províncias de Zambézia, Niassa, Nampula e Cabo Delgado.

No que se refere às bacias hidrográficas, Agostinho Vilanculos, do Departamento de Recursos Hídricos, indicou que Incomáti, Limpopo, Púnguè e Zambeze mantêm-se em alerta, mas com tendência de descida, enquanto Megaruma, em Cabo Delgado, apresenta níveis em ascensão devido às chuvas persistentes no norte do país. De forma geral, os escoamentos nas principais bacias hidrográficas tendem a reduzir com o abrandamento das precipitações, tanto em Moçambique como nos países vizinhos a montante, criando espaço para novos encaixes.

A rede viária poderá sofrer constrangimentos, sendo recomendado aos automobilistas que reprogramem as suas viagens, uma vez que algumas estradas poderão ter circulação condicionada.

A presidente do INGD, Luísa Meque, assegurou que a instituição está preparada para atender as potenciais vítimas do ciclone. Segundo Meque, o Governo dispõe de 2.4 mil toneladas de bens alimentares diversos, incluindo cereais, leguminosas, oleaginosas, açúcar e sal, suficientes para assistir 366 mil pessoas durante 15 dias. Além disso, foram pré-posicionados meios de busca e salvamento, incluindo embarcações a motor, e equipas multissectoriais trabalham para prevenir perdas de vidas.

O maior desafio, segundo Luísa Meque, continua a ser a sensibilização da população para abandonar as zonas de risco, de forma a reduzir os impactos do ciclone na vida das comunidades afectadas.

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Categoria: Sociedade

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