Escassez de divisas trava independência económica : alerta CIP
O Centro de Integridade Pública (CIP) alerta que Moçambique não poderá alcançar a tão desejada independência económica enquanto persistirem graves problemas relacionados com a escassez de divisas no país.
A afirmação foi feita por Edson Cortez, presidente executivo do CIP, durante a apresentação do relatório preliminar sobre os resultados das pesquisas realizadas à volta da problemática cambial nacional. O evento, que decorreu em Maputo, reuniu diversos actores da sociedade civil, governo e sector económico.
“Não vamos atingir a independência económica enquanto o país enfrenta problemas sérios de acesso às divisas”, afirmou Cortez, numa altura em que o próprio Presidente da República tem vindo a defender uma política activa de soberania e autonomia económica.
Segundo o CIP, a crise cambial afecta de forma particular os agentes do comércio transfronteiriço, que enfrentam crescentes dificuldades para adquirir divisas por vias formais. Perante essa limitação, muitos são forçados a recorrer ao mercado paralelo, com todas as implicações legais e económicas que daí advêm.
Edson Cortez defende que o país precisa de encontrar mecanismos urgentes e sustentáveis para inverter esta situação. “Com este encontro, esperamos traçar caminhos para que Moçambique se reinvente e possa resolver o problema das divisas, de forma a garantir uma economia mais autónoma e resiliente”, sublinhou.
O relatório preliminar do CIP indica ainda que o acesso desigual às divisas afecta a competitividade das empresas nacionais, compromete investimentos estrangeiros e acentua a informalidade na economia.
A apresentação do estudo surge num contexto em que o Governo moçambicano reforça o discurso sobre a independência económica, procurando reduzir a dependência externa e aumentar a produção interna. No entanto, analistas alertam que sem uma gestão eficaz das reservas cambiais, políticas monetárias consistentes e diversificação das exportações, esses objectivos poderão não ser alcançados.
