Economia mostra sinais positivos, mas sem retoma robusta

O Índice de Gestores de Compras (PMI) de Dezembro de 2025, divulgado pelo Standard Bank, indica que a actividade do sector privado em Moçambique manteve uma trajectória de recuperação gradual no final do ano, sustentada pela melhoria da procura e pela estabilização das condições operacionais, embora continue condicionada por fragilidades estruturais e riscos que limitam uma retoma mais robusta.

De acordo com os dados do inquérito, a actividade empresarial permaneceu em terreno expansionista em Dezembro, apoiada sobretudo pelo desempenho do sector dos serviços e por sinais de maior estabilidade da procura interna. O volume de negócios registou uma evolução positiva e a confiança das empresas apresentou um ligeiro reforço, sugerindo que a economia terminou 2025 com uma base de actividade mais sólida do que no início do ano, ainda que sem evidenciar um ritmo compatível com uma recuperação plena.

O PMI identifica a procura como um dos principais motores da expansão observada, beneficiando de alguma normalização do contexto económico e de maior previsibilidade no ambiente de negócios. No entanto, o relatório sublinha que essa procura permanece sensível a choques, nomeadamente à evolução dos rendimentos das famílias, aos níveis de preços e às condições de financiamento, factores que continuam a condicionar decisões de investimento e de expansão por parte das empresas.

No mercado de trabalho, a recuperação mantém-se contida. As empresas adoptaram uma postura prudente, privilegiando ganhos de produtividade e controlo de custos em detrimento de novas contratações, reflectindo as incertezas ainda presentes no quadro macroeconómico. Em paralelo, os custos dos factores de produção continuaram elevados, pressionados pelos preços das matérias-primas, da energia e dos serviços logísticos, apesar de alguns sinais pontuais de alívio face aos picos registados anteriormente.

Comentando os resultados do PMI de Dezembro de 2025, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, considera que os dados confirmam uma recuperação da actividade privada assente em bases ainda frágeis. Segundo o responsável, a permanência do índice em zona expansionista demonstra a capacidade de adaptação das empresas, mas evidencia igualmente que os custos de financiamento, as ineficiências logísticas, a pressão sobre os custos operacionais e a limitação do poder de compra das famílias continuam a travar uma aceleração mais robusta da economia.

Mussá acrescenta que, sem progressos consistentes ao nível das reformas estruturais e da melhoria do ambiente de negócios, a recuperação deverá manter-se gradual e vulnerável a choques, limitando a capacidade do sector privado de sustentar um ciclo de crescimento mais inclusivo ao longo de 2026.

O relatório do PMI aponta ainda para uma melhoria cautelosa da confiança empresarial, apoiada por expectativas de maior estabilidade macroeconómica e por alguma normalização da procura. Apesar disso, essa confiança continua condicionada por factores como a volatilidade cambial, os riscos fiscais e a incerteza quanto à orientação das políticas económicas, levando muitas empresas a privilegiarem estratégias defensivas e a consolidação das operações existentes.

No seu conjunto, os resultados de Dezembro indicam que a economia moçambicana encerrou 2025 em terreno positivo, com sinais consistentes de estabilização e recuperação gradual da actividade privada. Contudo, a leitura conjuntural sugere que esta trajectória ainda não reúne massa crítica suficiente para desencadear um crescimento mais robusto, permanecendo dependente de um ambiente macroeconómico mais favorável, de custos de contexto mais baixos e de reformas que reforcem a capacidade de investimento do sector privado.

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Categoria: Economia

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