Dakar duro para Paulo Oliveira em Wadi Ad Dawasir
Na 8.ª etapa do Rally Dakar 2026, disputada esta segunda-feira em Wadi Ad Dawasir, Paulo Oliveira voltou a ser travado pela mecânica quando a sua equipa, a TH Trucks Team, tentava recuperar posições na classificação geral, ficando afastada da luta directa pelas medalhas, mas mantendo intacta a ambição de chegar ao pódio no dia 17 através do joker regulamentar. O piloto e empresário moçambicano, que integra a equipa ao lado de Alberto Herrero e Mario Rodríguez, explicou que “partimos hoje muito motivados para subir algumas posições, mas aos 20 quilómetros o tubo que alimenta a lubrificação do turbo partiu, e para continuar teria de ser soldado, o que nos obrigou a regressar ao parque fechado para reparar”, numa especial de cerca de 481 quilómetros cronometrados em pleno deserto saudita, onde a fiabilidade voltou a ser tão decisiva como a velocidade.



O novo contratempo surgiu depois de um dia anterior igualmente desgastante, na 7.ª etapa, quando a equipa foi forçada a substituir o turbo em plena pista, conseguindo ainda assim concluir a especial e chegar ao bivouac apenas às 1h30 da madrugada. “Ontem o turbo cedeu, montámos um novo em pista e conseguimos terminar. Foi um dia longo e duro, mas terminado com sucesso. Hoje saímos com um espírito muito positivo para fazer uma grande etapa, mas a mecânica voltou a pregar-nos uma partida”, relatou Paulo Oliveira, sublinhando a resiliência da estrutura apesar da sucessão de problemas.
Já nas etapas anteriores, a formação ibérica vinha a ser penalizada por pequenas falhas técnicas e pelo tempo perdido em assistências não previstas, o que a tinha feito cair para fora do top-20 da geral dos camiões, apesar de exibições competitivas em vários sectores cronometrados, onde conseguiu andar a um ritmo próximo dos mais rápidos sempre que a fiabilidade permitiu. Esse contexto ajuda a explicar a frustração sentida pelo navegador e piloto moçambicano, que admitiu que “há momentos em que dá vontade de terminar e ir embora”, mas fez questão de reforçar que o objectivo maior se mantém: “Ficámos afastados das medalhas, mas ainda temos a possibilidade de chegar ao pódio no dia 17 através do joker. É isso que nos trouxe até aqui, levar a nossa bandeira até ao fim”.
No plano desportivo da 8.ª etapa, a vitória nos camiões foi conquistada pelo neerlandês Mitchel van den Brink, em Iveco da MM Technology, com o tempo de 5h03m42s, num dia em que a navegação e a resistência dos veículos voltaram a marcar diferenças significativas entre os candidatos à geral. Para Paulo Oliveira, mais do que os resultados imediatos, o essencial passa agora por garantir que o camião fica totalmente operacional para a próxima fase da prova, em especial para a 9.ª etapa, novamente em formato maratona, onde a ausência de assistência nocturna coloca ainda maior pressão sobre a mecânica e sobre a capacidade da equipa.
“Temos de resolver estes problemas de vez para podermos voltar à estrada e lutar como sabemos”, concluiu o piloto e empresário moçambicano, que, apesar dos contratempos sucessivos, continua determinado em concluir o Dakar 2026 e honrar a presença de Moçambique na mais dura prova de todo-o-terreno do mundo, mantendo viva a esperança de um desfecho positivo quando a caravana chegar à meta final.

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