Comportamentos de Risco entre os Jovens em Moçambique: Causas, Consequências e Caminhos para a Transformação
Texto: Wendy Lambo
Os comportamentos de risco entre os jovens moçambicanos não surgem por acaso. São fruto de um ambiente marcado pela ausência de educação moral, cívica e social desde as primeiras fases da vida. Esta lacuna, muitas vezes invisível no debate público, está na origem de fenómenos cada vez mais frequentes nas periferias urbanas e zonas rurais do país.
Em bairros como Chamanculo, Mafalala, Maxaquene ou Polana Caniço, não é raro encontrar jovens de diferentes idades envolvidos em contextos de violência, consumo de álcool, pequenos delitos ou mesmo abandono escolar. Conhecidos nas ruas como “dankos” ou “rambas”, muitos destes jovens carregam cicatrizes físicas e emocionais, reflexo de um sistema que os ensinou a sobreviver, mas nunca os ensinou a viver com valores, dignidade e respeito pelo próximo.
É fundamental lembrar: nenhum jovem nasce violento ou marginalizado. Estes comportamentos são adquiridos num contexto onde faltam oportunidades, exemplos positivos e uma estrutura social que valorize a vida em comunidade.
A Realidade em Números
Segundo dados da UNICEF, cerca de 43% das crianças moçambicanas sofrem de desnutrição crónica, o que compromete gravemente o seu desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. Esta realidade perpetua ciclos de pobreza e exclusão, deixando os jovens vulneráveis a influências nocivas.
A situação agrava-se com a contínua falta de acesso a água potável, saneamento básico e educação de qualidade, especialmente nas zonas mais remotas e marginalizadas do país. Sem alternativas saudáveis ou perspectivas de futuro, muitos jovens acabam por cair nas armadilhas da rua.
O Caminho para a Transformação
A ausência de uma orientação ética e cívica gera um vazio existencial. E, como é sabido, onde há vazio, a rua ocupa com vícios, agressividade, desrespeito e marginalização. A resposta, no entanto, não passa apenas pela punição ou pelo silêncio.
É urgente investir na base.
É urgente educar com princípios.
É urgente criar espaços seguros e positivos, onde os jovens possam reaprender a viver em sociedade, com consciência, empatia e responsabilidade.
Uma Responsabilidade Colectiva
Mudar este cenário exige um compromisso de toda a sociedade. Cabe ao Estado, às famílias, às escolas, às igrejas e à sociedade civil agir com seriedade e união. Educar para os valores não é um luxo é uma urgência social. É um investimento em paz, cidadania e futuro.
A iniciativa MORALIZA surge neste contexto, com a missão de formar consciências, construir carácter e inspirar uma nova geração de jovens moçambicanos com valores sólidos e espírito de comunidade.
#Moraliza-te
Moraliza a tua casa, a tua escola, a tua comunidade, a tua geração.
