Clube de Ténis de Maputo promove novas estrelas.
O Clube de Ténis de Maputo voltou a afirmar-se, este fim-de-semana, como um verdadeiro viveiro de talentos e um espaço de inclusão social, ao acolher mais uma edição do Torneio Inter-Escolas, uma iniciativa que reuniu dezenas de crianças e jovens, pais, treinadores e dirigentes, num ambiente marcado pela competição saudável, descoberta de novos valores e esperança renovada para o futuro da modalidade em Moçambique.


Logo à margem do evento, o Presidente do Clube de Ténis de Maputo, Arménio Magane, fez um balanço considerado “extremamente positivo”, sublinhando que a competição é parte de uma estratégia bem definida do clube para aproximar o ténis da sociedade moçambicana e desmistificar a ideia de que se trata de uma modalidade reservada apenas a uma elite.
“A nossa avaliação é extremamente positiva. Temos desafios, sim, mas abraçámos um caminho claro: juntar as escolas da cidade para que os alunos possam competir entre si. Este é já o terceiro evento em 2025 e vamos manter esta dinâmica, porque queremos que os meninos tenham mais competição e mais exposição”, afirmou Magane, destacando que o objectivo central passa por tornar o ténis cada vez mais acessível.

O dirigente foi mais longe ao recordar exemplos concretos de jovens formados no clube que hoje evoluem além-fronteiras, como Edilson, Lucas, Laura Nhaven, Franco Mata e Bruno Nhaven, alguns deles com passagens pela Tunísia, Portugal e Estados Unidos da América. Para Arménio Magane, estas trajectórias provam que o sonho é possível, mesmo para crianças oriundas de famílias humildes.
“Os nossos grandes atletas e promissores vêm de famílias simples. Nós, dentro das nossas possibilidades, apoiamo-los com todo o carinho. O ténis é acessível, sim, embora tenha custos, e é aí que o clube entra para ajudar”, frisou, deixando ainda uma mensagem de união e votos de boas festas à família do ténis e ao país.


As palavras do Presidente do Clube encontraram eco nas declarações do Presidente da Federação Moçambicana de Ténis (FMT), Jonas Alberto, que se mostrou visivelmente satisfeito com o nível apresentado no torneio e com a emergência de novos atletas capazes de surpreender até os favoritos.
“Estamos muito contentes com o que vimos aqui. Muitos atletas novos a surgirem, a mostrarem um nível de ténis muito alto. Houve surpresas, atletas que já faziam parte da selecção a perderem para jovens que apareceram quase do nada, mas com grande evolução. Para nós, isso é o mais importante”, sublinhou.
Jonas Alberto destacou ainda o impacto da iniciativa do Clube de Ténis de Maputo enquanto plataforma de massificação da modalidade, realçando a forte presença de crianças e pais e o ambiente de envolvimento colectivo em torno do ténis. Segundo o dirigente federativo, o torneio permitiu identificar novos talentos que poderão reforçar, já em Janeiro, a selecção nacional na qualificação da Zona 5 para o Campeonato Africano, no Botswana.
“Temos aqui muitos frutos para colher e filtrar para a selecção moçambicana. Estes atletas merecem todo o nosso apoio para representar o país numa plataforma mais vasta”, assegurou.
internacionais, como o evento da CPLP e o prestigiado Orange Bowl, nos Estados Unidos, com o apoio institucional da FMT.
“Estamos muito próximos dos pais e das atletas. Onde temos espaço para apoiar, apoiamos. Estas jovens fazem parte da nata de talentos que vão continuar a representar Moçambique”, garantiu, aconselhando outros pais a acreditarem no percurso desportivo e académico dos seus filhos através do ténis.


Dentro do campo, os protagonistas deram corpo às expectativas. Nabeelah Corte-Real, uma das atletas premiadas do torneio, brilhou em várias categorias, alcançando primeiros e segundos lugares, e não escondeu a emoção pelo percurso feito.
“Foi um grande caminho, mas merecido, porque trabalho todos os dias para isto. As fases mais difíceis são manter a moral, apesar dos problemas da casa ou da escola, mas nada disso pode parar os sonhos”, partilhou, reconhecendo o papel fundamental do Clube de Ténis de Maputo no seu crescimento desportivo. Ambiciosa, Nabeelah não hesitou em afirmar: “Espero ser uma futura Serena Williams”.


Outro destaque foi o jovem Kayhan Ahmed, vencedor na sua categoria, que descreveu o percurso até ao título como difícil, mas gratificante.
“Os jogos foram duros, mas com luta consegui. É uma das primeiras conquistas e vou conquistar muito mais”, disse, dedicando o prémio à família, presença constante nas bancadas.

Visivelmente orgulhoso, o encarregado de educação, Sharif Ahmed, falou com emoção sobre a evolução do filho e o ambiente proporcionado pelo clube.
“Nunca o forcei a jogar ténis. Foi decisão dele. Treina bastante e já tem objectivos claros. Ver o meu filho ganhar um prémio é a maior alegria”, confessou, elogiando ainda a organização e o espírito familiar do Clube de Ténis de Maputo, que classificou como uma estrutura de “magnitude muito acima da média”.
Mais do que um simples torneio, o Inter-Escolas do Clube de Ténis de Maputo confirmou-se como um espaço de formação desportiva, social e humana, onde sonhos começam a ganhar forma e onde o ténis moçambicano encontra, a cada edição, novas razões para acreditar no futuro.
