Alto Molócuè acolhe livro sobre a mulher
A Casa de Cultura de Alto Molócuè foi palco a 9 de Janeiro de 2026, do lançamento do livro “DUZIETOS PELA MULHER BEMÇAMBICANA: 100 POESIAS PARA SI, da autoria do escritor moçambicano Roseiro Mário Moreira, natural daquele distrito, numa cerimónia marcada por forte participação comunitária e institucional.
Mais do que uma simples obra literária, o livro apresenta-se como um profundo relato de vida que homenageia a mulher moçambicana, exaltando o seu papel nos diferentes contextos sociais, familiares e comunitários. A publicação procura dar voz às experiências, aos sacrifícios e à liderança feminina, retratando, com sensibilidade, realidades muitas vezes silenciadas.
No prefácio, assinado por Hélder Muteia, é destacado o carácter emotivo e a riqueza de detalhes da obra, sublinhando que o autor se inspirou no percurso da sua mãe e de diversas mulheres líderes comunitárias com quem conviveu ao longo da sua trajectória pessoal e profissional.
Durante o evento, Roseiro Mário Moreira explicou que a escrita surge como um compromisso com a sua terra e com a memória colectiva. “A nossa base tem de ser sempre o primor das nossas ideias. Quem se preza gosta de enaltecer a sua terra natal e de fazer algo que ilustre de onde vem”, afirmou, acrescentando que ficou surpreendido com o elevado nível de envolvimento do público. Segundo o escritor, “a participação não é apenas um número, é, sobretudo, o grau de envolvimento das pessoas”.
Natural de Alto Molócuè, Roseiro Moreira é formado em Relações Internacionais e Diplomacia, em Meio Ambiente e Desenvolvimento Socioeconómico, e possui ainda certificação em Comunicação de Ciência, percurso académico que, segundo o próprio, influencia a abordagem reflexiva e social presente na obra.
A cerimónia contou com a presença do administrador distrital e do presidente do município, que assumiram o lançamento como um evento da vila e da liderança local, facto que, nas palavras do autor, lhe proporcionou “muito conforto” e reforçou o sentido de pertença comunitária.
No encerramento, Roseiro Mário Moreira apelou à valorização das origens como fonte de inteligência e acção. “Onde perdemos o nosso umbigo é onde reside a nossa inteligência. Todos devemos procurar fazer algo na terra onde nascemos. Se não for algo físico, que seja poético ou filosófico, para deixar um legado”, concluiu.

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