Acordo Moçambique–Itália impulsiona cooperativas
O cooperativismo volta a assumir um papel central na economia moçambicana, com o lançamento do projecto Connecting Skills, uma iniciativa que aposta na formalização, capacitação e financiamento de micro, pequenas e médias empresas (MPME) para transformar a informalidade em produtividade e inclusão económica. O programa resulta de uma parceria estratégica entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a Câmara de Comércio de Moçambique e a cooperativa italiana Legacoop, contando ainda com o apoio da organização No One Out.
Num país onde mais de 90% da população economicamente activa opera na economia informal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o cooperativismo é apontado como instrumento essencial para estruturar a base produtiva, integrar cadeias de valor mais competitivas e facilitar o acesso a financiamento e mercados. O presidente da CTA, Álvaro Massingue, considera que o projecto representa uma plataforma estratégica alinhada com as prioridades nacionais de desenvolvimento económico e inclusão produtiva, contribuindo para um tecido empresarial mais organizado e novas oportunidades de negócio, sobretudo nas regiões com maior presença de pequenas unidades produtivas.
Inhambane será o laboratório provincial do programa, onde será criada a Casa do Empresário, uma infraestrutura de apoio a associações empresariais e cooperativas, com serviços de assistência técnica, formação e formalização. Prevê-se ainda a criação de um balcão de formalização empresarial, programas de formação em agrotransformação, economia azul e comércio, bem como um fundo de microcrédito direcionado para o empreendedorismo feminino. Segundo Massingue, o objetivo é criar um ecossistema integrado que articule políticas públicas, sector privado e economia social, promovendo maior produtividade económica, emprego sustentável e integração de mulheres e jovens na economia formal.
No plano jurídico, o Governo trabalha na elaboração do Regulamento da Lei das Cooperativas, instrumento que deverá reforçar a operacionalidade e competitividade das cooperativas, facilitando o acesso a financiamento, assistência técnica e mercados, anunciou Cândido Langa, director da Direcção de Apoio ao Sector Privado (DASP). A expectativa é que o regulamento seja aprovado ainda este ano, criando um ambiente institucional mais favorável ao desenvolvimento do sector.
A cooperação internacional reforça igualmente a capacidade institucional da Câmara de Comércio de Moçambique, segundo o vice-embaixador de Itália, Eugenio Rotaru, que destacou a importância de facilitar o acesso a certificações e certificados de origem para aumentar a competitividade das empresas moçambicanas. Para Lucas Chachine, presidente da Câmara de Comércio, o sector agrícola será o ponto de partida estratégico do projecto, dada a sua relevância no emprego e no potencial de organização produtiva, podendo ser posteriormente alargado a outros sectores económicos.
O projecto Connecting Skills surge, assim, como uma resposta ao desafio estrutural da economia moçambicana: transformar informalidade em produtividade, talento em oportunidade e cooperação em prosperidade partilhada, reforçando o cooperativismo como motor de desenvolvimento sustentável e inclusão económica no país.

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