
ACLA PROMOVE ARTE E CULTURA MOÇAMBICANA EM TEMPOS DE DESAFIOS
Fundada em 2001, a Associação Cultural Lhuvuka Arte (ACLA) surgiu com o objectivo de promover e preservar as artes, a cultura e a identidade de Moçambique. Criada por jovens de Hulene e arredores, a ACLA é uma organização juridicamente reconhecida e actua com estatutos próprios. Hoje, com mais de 60 membros, sendo 28 activos, a associação se dedica ao fortalecimento de várias formas de arte, incluindo as artes plásticas, as artes cénicas e as artes literárias.
O presidente da ACLA, Gabriel Puzuzo, acredita que a arte vai além da expressão criativa – ela é uma ferramenta de transformação social e educacional. Em particular, o projecto “Arte no Quintal” tem se destacado. Realizado a cada 15 dias, o projecto oferece oficinas de arte para crianças, com o objectivo de ensinar valores como coragem, paciência e equilíbrio, essenciais para qualquer área da vida. A associação não busca formar artistas, mas sim cultivar cidadãos que carreguem esses princípios fundamentais para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

“Embora a arte seja uma paixão, acreditamos que ela também ensina valores aplicáveis a qualquer profissão”, explica Gabriel Puzuzu, presidente da associação. “A ideia é que as crianças possam usar esses valores, como a coragem e a paciência, onde quer que estejam, seja na engenharia, ciência ou qualquer outra área”, destaca.
Além disso, a associação promove o projecto “Reencontros e Encontros”, que busca fortalecer os laços comunitários e promover o uso da arte para a inclusão social, especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade.
Apesar de seus esforços, de acordo com Puzuzo, a ACLA enfrenta grandes desafios financeiros. Explica que a associação sobrevive principalmente através das contribuições de seus membros e do apoio de parceiros esporádicos. “Infelizmente, a arte em Moçambique não é vista como uma área que possa gerar sustento, e muitos artistas enfrentam dificuldades para viver de seu trabalho”, lamenta Puzuzo.
A falta de patrocínios e de políticas públicas que incentivem a cultura é um grande obstáculo. “Em Moçambique, para ser artista, é preciso ter muita coragem. A arte não dá dinheiro, e essa realidade precisa ser transformada”, afirma o presidente. A ACLA luta para mudar essa perspectiva, acreditando que a arte não deve ser vista como um passatempo, mas como uma área capaz de gerar desenvolvimento económico e social.

Preservação Cultural em Meio à Globalização
Outro aspecto importante do trabalho da ACLA é a preservação das tradições culturais moçambicanas, como as danças tradicionais, os cânticos e a arte popular. “Em um mundo cada vez mais globalizado, precisamos preservar nossas raízes. A globalização não deve significar o abandono da nossa identidade cultural”, defende Puzuzo.
A associação realiza feiras e eventos que celebram as artes tradicionais, como o xigubo e o galanga, para garantir que as novas gerações não se esqueçam dessas manifestações culturais. “Queremos que as crianças vejam o galanga, se identifiquem com ele e o carreguem como parte de sua identidade”, afirma o presidente da ACLA.

Exemplos de Sucesso e Impacto Social
A ACLA tem produzido frutos visíveis em várias áreas, com destaque para o impacto social. Um exemplo inspirador é o caso de um jovem que, aos 12 anos, ingressou na associação e hoje é professor de arte e ofícios em Moamba. “Ele foi um dos primeiros a participar de nossas actividades e, agora, é um exemplo de como a arte pode transformar vidas”, conta.
Além disso, a associação tem actuado em diversas iniciativas comunitárias, como projectos de arte terapêutica em instituições como o Hospital Psiquiátrico de Infulene e o Centro de Menores em Conflito com a Lei, além de acções de conscienlização sobre o HIV/SIDA, levando arte e educação para as escolas.

O Futuro da ACLA e a Visão para a Cultura
Embora a associação enfrente desafios, segundo o presidente da ACLA, ela mantém um optimismo fervoroso. “Acreditamos que, com o tempo, podemos contribuir para a criação de um ambiente mais propício à valorização da arte e da cultura”, afirma. A ACLA trabalha para que as artes não sejam apenas um passatempo, mas uma verdadeira indústria que possa gerar emprego e desenvolvimento económico em Moçambique.
O presidente da associação conclui com uma reflexão: “A arte tem o poder de transformar a sociedade. É preciso que acreditemos nela, que invistamos nela. Só assim poderemos construir um futuro onde a arte seja realmente valorizada como parte essencial da nossa identidade e do nosso desenvolvimento”.
