Moçambique foca-se em crescimento sustentável

O Governo de Moçambique reafirmou o seu compromisso com uma planificação estratégica orientada para o desenvolvimento sustentável, inclusivo e de longo prazo, sublinhando a importância da cooperação com os países nórdicos como pilar fundamental para consolidar reformas económicas, sociais e institucionais. A posição foi defendida esta quarta-feira (18) pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a realização da conferência Moçambique – Países Nórdico, dedicada ao diálogo e reflexão sobre políticas públicas e desenvolvimento endógeno no país.

Na intervenção, o governante destacou que Moçambique atravessa um momento particularmente relevante, marcado por desafios globais e internos, mas também por múltiplas oportunidades de transformação estrutural. Segundo explicou, o país encontra-se num ponto de intercruzamento entre a necessidade de consolidar a estabilidade macroeconómica, acelerar a industrialização, reforçar o capital humano, expandir infraestruturas modernas e aprofundar o impacto social, com vista à redução da pobreza e das desigualdades sociais e territoriais.

Salim Valá sublinhou que a cooperação com os países nórdicos assume um significado especial não apenas pelo apoio histórico prestado desde a luta pela autodeterminação, mas sobretudo pela qualidade das experiências acumuladas em áreas como a governação democrática, a justiça social, a inovação, a gestão sustentável dos recursos naturais e o desenvolvimento empresarial. Esta parceria de longo prazo, frisou, tem produzido resultados concretos no desenvolvimento humano, no fortalecimento institucional e na implementação de políticas públicas orientadas para o bem-estar da população.

O ministro alertou que a conferência decorre num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, volatilidade dos preços das matérias-primas, aumento do custo do financiamento, eventos climáticos extremos, disrupções tecnológicas e redefinição das cadeias globais de produção. Neste cenário, defendeu que discutir equidade, solidariedade, crescimento inclusivo e renovação do contrato social deixou de ser um exercício teórico para se tornar uma necessidade urgente, com implicações estratégicas, políticas e práticas para economias emergentes como a moçambicana.

No plano interno, reconheceu a existência de desafios significativos, incluindo a vulnerabilidade climática, focos de instabilidade, alguma polarização social e política e limitações estruturais no capital humano e nas infraestruturas. Ainda assim, afirmou que o país tem demonstrado resiliência ao longo da sua história recente, superando conflitos, crises económicas e choques externos com visão estratégica e apoio de parceiros internacionais.

O governante destacou que Moçambique dispõe de uma oportunidade histórica associada ao seu perfil demográfico jovem, com cerca de dois terços da população abaixo dos 25 anos. Defendeu que o investimento adequado na educação, formação profissional, inclusão financeira e empreendedorismo poderá transformar a juventude em produtividade, acelerar o crescimento económico e reduzir a pobreza. Neste contexto, enfatizou também o papel central das mulheres na economia real e recordou o anúncio governamental da criação de um Fundo de Empoderamento Económico das Mulheres, como instrumento para ampliar a sua participação na economia formal.

Salim Valá apresentou ainda os principais instrumentos de planificação e governação económica em curso, entre os quais a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, o Programa Quinquenal do Governo 2025–2029, o Plano de Recuperação e Crescimento Económico e a Estratégia Nacional de Financiamento Climático. Estes instrumentos, explicou, visam transformar a estrutura económica do país através da industrialização, do agronegócio, da energia, dos recursos minerais e hidrocarbonetos, do turismo sustentável, da logística e da digitalização, assegurando previsibilidade, estabilidade e confiança para investidores e parceiros.

O ministro reforçou que a transição para uma economia verde e resiliente constitui uma necessidade estratégica para um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, defendendo prioridades como as energias renováveis, a agricultura resiliente ao clima, a gestão sustentável dos ecossistemas, a economia circular e o financiamento climático. Sublinhou ainda o alinhamento de Moçambique com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e os compromissos internacionais em matéria ambiental.

Na vertente institucional, destacou os avanços nas reformas estruturais, na modernização fiscal e orçamental, na simplificação administrativa, na digitalização dos serviços públicos, no reforço da transparência e da boa governação, bem como na criação de novos instrumentos financeiros públicos orientados para jovens, micro, pequenas e médias empresas, com vista à dinamização económica local e ao acesso ao crédito.

Concluindo, Salim Valá defendeu que o desenvolvimento sustentável exige responsabilidade partilhada entre o Estado, a sociedade civil, o sector privado, os parceiros de cooperação e as instituições académicas. Reafirmou que Moçambique está preparado para aprofundar reformas, fortalecer instituições e construir uma parceria de nova geração, baseada na confiança, previsibilidade e visão de longo prazo, de modo a transformar o potencial do país em prosperidade, crescimento inclusivo e justiça social.

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Categoria: Economia

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