Maputo e Londres selam pacto de investimento verde
Moçambique e o Reino Unido lançaram, em Maputo, um Pacto para o Crescimento Económico Inclusivo que prevê a mobilização de até 3 mil milhões de libras esterlinas, cerca de 3,8 mil milhões de dólares, em investimento produtivo destinado a impulsionar a transformação estrutural da economia, a criação de emprego e o reforço da resiliência climática do país.


O acordo, assinado pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e pela ministra britânica para o Desenvolvimento e África, Baronesa Chapman de Darlington, marca uma mudança de paradigma na cooperação bilateral, ao afastar-se do modelo tradicional de assistência e privilegiar instrumentos orientados para o investimento, o sector privado e prioridades económicas partilhadas.
Segundo as autoridades envolvidas, o pacto tem como objectivo central promover um crescimento económico inclusivo e resiliente às alterações climáticas, apoiando trajectórias de desenvolvimento sustentável, com foco em empregos de qualidade, aumento da produtividade e diversificação da base económica moçambicana.
O entendimento abrange sectores considerados estratégicos, como energia limpa, infra-estruturas, logística, agronegócio, educação, saúde e digitalização. Um dos principais eixos é a criação de um novo veículo de capital de risco, destinado a dinamizar os mercados de capitais, facilitar o acesso ao financiamento e apoiar empresas nacionais, com particular incidência no sector agrícola.


Paralelamente, o pacto estabelece uma parceria específica para apoiar a implementação da estratégia de industrialização verde de Moçambique, visando aumentar a produtividade industrial, promover a criação de valor local e alinhar o crescimento económico com os compromissos climáticos assumidos pelo país.
Para além da vertente económica, o acordo integra uma dimensão institucional considerada decisiva para o ambiente de negócios. Foi formalizada uma cooperação com a Procuradoria-Geral da República para o reforço das capacidades de investigação e acusação em matérias de corrupção, branqueamento de capitais e combate às finanças ilícitas, numa aposta clara na transparência e na confiança dos investidores.
A assinatura do pacto ocorre num contexto marcado por cheias severas em várias regiões do país. Neste quadro, o Reino Unido anunciou apoio humanitário adicional, incluindo financiamento e a mobilização de equipas especializadas de busca e salvamento, sublinhando a articulação entre respostas imediatas a crises e investimento estrutural de longo prazo.
Do lado moçambicano, Salim Valá destacou a centralidade da juventude e das mulheres no desenho da parceria, defendendo que a inclusão destes grupos no sector produtivo é determinante para um crescimento sustentável e equilibrado. Instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local são apontados como plataformas que poderão beneficiar do enquadramento criado pelo pacto.
As autoridades enquadram o acordo no quadro mais amplo das relações históricas entre Moçambique e o Reino Unido, que assinalam cinco décadas de cooperação bilateral e cerca de três décadas desde a adesão de Moçambique à Commonwealth. Mais do que um pacote financeiro fechado, o pacto é apresentado como uma plataforma de mobilização de investimento, dependente da qualidade dos projectos, da capacidade de absorção da economia e do reforço contínuo do quadro institucional.

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