Governo quer serviços veterinários mais fortes
O Governo de Moçambique e a Ordem dos Médicos Veterinários de Moçambique (OMVM) defenderam na cidade de Maputo, o reforço urgente dos Serviços Veterinários como eixo estratégico para o desenvolvimento do sector agrário, a segurança alimentar, a protecção da saúde pública e o crescimento económico nacional. A posição foi expressa durante a abertura do workshop subordinado ao tema “Serviços Veterinários em Moçambique: Oportunidades e Perspectivas”.
Em representação do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, o Secretário Permanente do pelouro, Acubar Batista, reafirmou o compromisso do Governo em fortalecer o subsector pecuário, sublinhando que a pecuária constitui uma fonte essencial de subsistência e rendimento para milhares de famílias moçambicanas. Segundo o dirigente, o futuro do sector passa pela criação de condições que permitam uma maior integração da juventude nas cadeias de valor da produção animal, potenciando a geração de rendimento, emprego e resiliência face às mudanças climáticas.


Apesar dos progressos registados no controlo de doenças transfronteiriças, no reforço da vigilância epidemiológica e na capacitação técnica, Acubar Batista reconheceu a persistência de desafios estruturais, entre os quais a fraca cobertura dos serviços veterinários nas zonas remotas, a escassez de recursos humanos qualificados, fragilidades laboratoriais e o impacto crescente das mudanças climáticas na sanidade animal.
Por sua vez, a Bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários de Moçambique, Ana Flávia Azinheira, defendeu a valorização urgente do médico veterinário, sobretudo na função pública, de modo a garantir o seu papel estratégico na medicina veterinária e na protecção da saúde pública. A responsável alertou para a ausência de médicos veterinários em algumas províncias e distritos, inclusive para actos básicos como a vacinação contra a raiva, situação que representa riscos sérios para a população e para a produção pecuária.


Ana Flávia Azinheira sublinhou ainda a necessidade de investir na prevenção e na vacinação como pilares fundamentais para a protecção da saúde animal e humana, defendendo uma abordagem integrada baseada em parcerias público-privadas e numa melhor articulação entre médicos veterinários e zootécnicos, salvaguardando as competências específicas de cada área. Esta visão enquadra-se na abordagem “Uma Só Saúde”, que reconhece a interligação entre a saúde animal, humana e ambiental.
O posicionamento da Ordem converge com o compromisso governamental de modernizar os Serviços Veterinários, reforçar as infra-estruturas laboratoriais, apostar na formação contínua dos quadros, digitalizar os sistemas de vigilância zoossanitária e promover a investigação científica.
O workshop reuniu médicos veterinários, dirigentes, académicos, investigadores, parceiros estratégicos e decisores políticos, com o objectivo de reflectir sobre a organização, a dinâmica e a capacidade de resposta dos Serviços Veterinários em Moçambique, num debate considerado central para o futuro da pecuária, da economia nacional e da saúde do povo moçambicano.

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