Salim Valá traça visão para relançar a economia

O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, declarou recentemente que Moçambique vive “um momento desafiante do ponto de vista económico, social e político”, mas sublinhou que o país dispõe hoje de condições estruturais para construir “duas décadas de transformação profunda”, apoiadas em reformas, investimento estratégico e no potencial dos jovens e das mulheres. As declarações foram proferidas durante a comemoração dos 30 anos do Banco Internacional de Moçambique (Millenium bim).

No seu discurso, Salim Crípton Valá, destacou o papel determinante do sector financeiro na modernização económica, apontando o Mileniuo bim como exemplo de inovação e inclusão. Recordou que o banco foi pioneiro na digitalização financeira, no mobile banking e na expansão de pagamentos electrónicos, contribuindo para a aproximação dos serviços bancários aos cidadãos e para o financiamento de sectores estratégicos como agricultura, energia, logística, habitação e indústria. “Ao longo de 30 anos, cresceu com o país, investiu no país e mantém confiança no país”, afirmou.

O ministro contextualizou, contudo, que o avanço económico ocorre num cenário internacional adverso, marcado pela inflação global, tensões geopolíticas, volatilidade de preços e choques climáticos severos. A estes factores externos somam-se desafios internos, como fenómenos climáticos extremos, focos de terrorismo em Cabo Delgado e um período de tensão pós-eleitoral. Ainda assim, salientou o papel do Presidente Daniel Chapo na promoção da estabilização institucional e do diálogo inclusivo.

Num diagnóstico directo, Valá apresentou os principais indicadores económicos recentes: crescimento médio de 2,63% entre 2021 e 2024, contrações em 2024 e no primeiro semestre de 2025, e uma recuperação moderada prevista para o final deste ano. A inflação, referiu, tem recuado para níveis mais controlados, enquanto as reservas internacionais e a disciplina fiscal têm sido geridas com prudência. Apesar desses sinais positivos, o ministro reconheceu persistentes fragilidades, entre elas a dependência de matérias-primas, a vulnerabilidade aos choques climáticos, a informalidade elevada e as desigualdades territoriais.

Em resposta a esses constrangimentos, o ministro detalhou a agenda económica do Governo, sustentada em instrumentos como a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044, o Programa Quinquenal 2025-2029 e o Plano de Recuperação e Crescimento Económico. Destacou ainda a aceleração das reformas fiscais, administrativas e de supervisão, além da digitalização de serviços públicos, que “está a reduzir burocracia e a criar um ambiente de negócios mais transparente e competitivo”. O pacote de recuperação, estimado em 2,75 mil milhões de dólares, deverá impulsionar investimento, gerar empregos e aliviar o custo de vida das famílias mais vulneráveis.

A descentralização económica foi apontada como eixo essencial da estratégia do Governo, com destaque para instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Fundo de Garantia Mutuária, o Fundo de Recuperação Económica e a operacionalização do Banco de Desenvolvimento e da Caixa Económica. Segundo Valá, estas medidas visam aproximar financiamento e capacitação às pequenas e médias empresas, sobretudo nas zonas rurais.

O governante apresentou ainda as oportunidades estruturais que Moçambique pretende capitalizar, com foco nos megaprojetos de gás natural na Bacia do Rovuma, considerados motores de transformação económica para as próximas décadas. Sublinhou, porém, que o recurso não deve ser visto como um fim, mas como “um mecanismo para financiar a diversificação económica, modernizar a agricultura e expandir a industrialização”. A implementação de políticas de conteúdo local, afirmou, pretende evitar erros históricos vividos por outros países ricos em recursos naturais.

Destacou a retoma do Compacto 2 do Millennium Challenge Account e a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI, que, segundo disse, reforçam a confiança internacional no país e melhoram o ambiente de investimento. Nos corredores logísticos e regiões económicas, apontou avanços no Corredor de Nacala, na agroindústria, no turismo, agora reforçado pela proclamação de Inhambane como capital nacional do sector e na economia digital, cuja expansão rápida entre jovens representa uma oportunidade transversal.

Apesar do potencial, o ministro reconheceu que os desafios estruturais permanecem: pobreza persistente, elevado desemprego jovem e assimetrias entre zonas urbanas e rurais. Defendeu, por isso, uma estratégia robusta de apoio às micro, pequenas e médias empresas, às mulheres e aos jovens, que representam “o maior potencial de inovação e crescimento do país”.

Ao encerrar a intervenção, afirmou que o futuro económico de Moçambique “não está escrito”, mas dependerá da capacidade colectiva de transformar oportunidades em prosperidade partilhada. “Se mantivermos coragem nas escolhas e confiança nos nossos maiores activos-jovens e mulheres, dentro de alguns anos reconheceremos que estas foram as décadas em que Moçambique mudou de patamar”, concluiu.

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Categoria: Economia

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