Fundo Local recebe mais de 112 mil candidaturas
–Ministro Salim Valá destaca mobilização nacional e impacto social do novo instrumento de financiamento comunitário
O novo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), criado para financiar projectos de jovens e mulheres moçambicanas, recebeu até ao início de novembro 112.197 candidaturas, num valor total de 10,1 mil milhões de meticais (cerca de 137,2 milhões de euros). O montante solicitado é 12,25 vezes superior à verba orçamentada para este ano, fixada em 824,6 milhões de meticais (11,2 milhões de euros).
O balanço foi apresentado no Parlamento pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, que considerou os números “um sinal inequívoco da vitalidade empreendedora das comunidades e da confiança no Estado como parceiro do desenvolvimento local”.
Segundo o governante, 67% das candidaturas foram submetidas por indivíduos, 32% por associações e cooperativas e 1% por micro e pequenas empresas. As áreas com maior número de propostas são o comércio (35.501 projectos), a agricultura (23.365), a avicultura (8.556), os serviços (7.839) e a pecuária (6.095).


Entre as províncias, Nampula lidera com 37,8% das candidaturas, seguida por Niassa (13%) e Inhambane (10,6%). Para Valá, estes números “mostram que o FDEL chegou às bases, envolvendo desde autoridades locais a rádios comunitárias e líderes tradicionais, num processo de mobilização sem precedentes”.
Lançado a 31 de Julho em Inhambane pelo Presidente da República, Daniel Chapo, o FDEL visa estimular as economias locais através do financiamento de iniciativas lideradas por jovens, mulheres e empreendedores distritais. O programa, operacionalizado desde setembro, procura “criar um movimento económico de base comunitária, sustentável e inclusivo”.
“O facto de o FDEL ser hoje debatido nas praças, nas escolas, nas administrações locais e nos mercados mostra que se tornou um tema nacional, um símbolo de esperança e de oportunidade”, afirmou o ministro, destacando o impacto social da medida.


Salim Valá sublinhou que o Fundo oferece “uma janela de oportunidade real” para cidadãos que até agora “eram considerados não dignos de crédito”, permitindo-lhes “implementar as suas ideias e transformar as suas comunidades”.
O titular da pasta da Planificação e Desenvolvimento acredita que o FDEL “pode alterar o panorama económico nacional”, contribuindo para que as zonas rurais-onde vive 65% da população-produzam mais de 25% da riqueza nacional, reduzindo o desemprego de 18,4% para menos de 14,7% até 2029, e ajudando a baixar a desnutrição crónica de 37% para 30%.
“O sucesso do FDEL dependerá da nossa capacidade colectiva de conjugar visão, execução e responsabilidade”, concluiu Valá, defendendo que o programa é “ao mesmo tempo uma resposta à urgência do crescimento inclusivo e uma oportunidade para provar que Moçambique pode fazer do desenvolvimento local o motor da prosperidade nacional”.

Deixe um comentário