Cidadãos marcham contra violência e o feminicídio em Moçambique
Um movimento popular constituído por homens, mulheres, jovens e crianças saíram às ruas da cidade de Maputo, na última sexta-feira, 24 de Outubro de 2025 em protesto contra a violência e o feminicídio que continuam a vitimar mulheres em todo o país.
A marcha popular, que começou junto à estátua de Eduardo Mondlane às 15h00 e terminou cerca das 17h00 na Praça da Independência, foi marcada por cartazes com mensagens fortes como “Não nos matem” e “A violência deixa marcas”, expressando o clamor da sociedade civil pelo fim dos assassinatos de mulheres.


O movimento, composto por cidadãos de diferentes idades e organizações, promete não interromper os protestos enquanto o problema persistir. Segundo os organizadores, a manifestação visa sensibilizar o Governo e a sociedade para a urgência de medidas concretas no combate à violência baseada no género.
Entre os manifestantes, Claudina Chirindzane, coordenadora do Movimento de Meninas e Jovens Revolucionárias (MMJR), afirmou que “estamos nas ruas para dizer ‘abaixo a violência’ e ‘abaixo o feminicídio de raparigas e mulheres no país’”. A activista denunciou o aumento de casos de mulheres assassinadas “à luz do dia” e assegurou que o movimento continuará nas ruas até que se encontrem soluções eficazes.


Também presente na manifestação, Januário Mathe apelou ao respeito pelos direitos humanos e à necessidade de uma “reflexão profunda” por parte das autoridades judiciais para punir os autores da violência. Segundo o participante, “a violência contra as mulheres tem sido frequente e já ameaça a paz social”.
A representante da Associação Horizonte Azul, Berta Nazarete, revelou que entre Setembro e Outubro deste ano foram registadas cerca de dez mortes de mulheres ainda sem esclarecimento por parte das autoridades. Nazarete destacou a preocupação com os casos de estrangulamento e violência sexual que precedem muitos dos assassinatos e apelou ao Governo moçambicano para garantir “a protecção e o respeito pelas mulheres, como é dever do Estado zelar por toda a população”.


A activista defendeu ainda a criação de uma lei específica contra o feminicídio, sublinhando que “esta matança está ligada às desigualdades de género e aos papéis sociais atribuídos às mulheres”.

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