Moçambique lança FINOVA com apoio Alemão

O Governo de Moçambique e a República Federal da Alemanha lançaram oficialmente, na quarta-feira, 8 de Outubro de 2025, o FINOVA (Financiamento Inovativo para o Agronegócio), uma linha de crédito no valor de 45,5 milhões de euros destinada a dinamizar o sector agrícola, aumentar a produtividade rural e criar novas oportunidades de emprego e rendimento no país.

O acto teve lugar em Maputo e contou com a presença do ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, do embaixador da Alemanha, Ronald Münch, bem como de representantes do Banco de Moçambique, da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e de várias instituições financeiras parceiras, incluindo o ABSA, BCI, Standard Bank, GAPI e Microbanco Confiança.

Durante a cerimónia, o ministro Salim Valá sublinhou a importância estratégica do agronegócio para o desenvolvimento económico nacional, lembrando que cerca de 70% da população moçambicana depende directamente da agricultura e que o sector representa aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Só no segundo trimestre de 2025, a agricultura gerou um valor acrescentado de 91,4 mil milhões de meticais.

Apesar destes números, o governante reconheceu os desafios persistentes: apenas 2,5% da área cultivada é irrigada e menos de 10% dos agricultores têm acesso a crédito formal ou a assistência técnica estruturada. “Estes números mostram o imenso potencial ainda adormecido do agronegócio moçambicano. O FINOVA vem precisamente desbloquear esse potencial”, afirmou Valá.

Do total anunciado, 33,5 milhões de euros serão canalizados através do Banco de Moçambique, que operará as linhas de crédito em parceria com instituições financeiras previamente seleccionadas. Os restantes 12 milhões serão geridos pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, estando destinados a garantias de crédito, seguros climáticos e serviços de assistência técnica.

As condições do financiamento incluem taxas de juro concessionais, não superiores a 10% ao ano, períodos de carência ajustados aos ciclos agrícolas e prazos de reembolso adequados. O programa contempla ainda a introdução de seguros climáticos para mitigar os impactos de fenómenos como secas, inundações e ciclones, promovendo a resiliência dos produtores face às alterações climáticas.

As empresas elegíveis deverão ter, no mínimo, três anos de actividade, operar na cadeia de valor agrícola e manter relações comerciais com pequenos produtores, apresentando modelos de negócio sustentáveis e inclusivos. Entre os investimentos financiáveis incluem-se sistemas de irrigação, mecanização, armazéns, unidades de processamento, transporte e certificações de qualidade.

O ministro destacou que o FINOVA está alinhado com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044 e com o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029, reforçando a aposta na diversificação da economia e na industrialização inclusiva. Valá lembrou também outras iniciativas em curso, como o Fundo de Garantia Mútua, no valor de 40 milhões de dólares, e os 824 milhões de meticais já aplicados no Fundo de Desenvolvimento Económico Local, focado no apoio a jovens empreendedores nos distritos.

“Com o FINOVA, não estamos apenas a lançar uma linha de crédito, estamos a lançar uma nova visão para o futuro do agronegócio moçambicano”, afirmou o titular da pasta de Planificação e Desenvolvimento.

Por sua vez, o embaixador Ronald Münch assinalou que o lançamento do FINOVA coincide com os 40 anos de cooperação bilateral entre Moçambique e Alemanha, frisando que esta nova linha de financiamento está estruturada em três componentes principais: linhas de crédito bonificadas, seguro climático para pequenos agricultores e serviços de aconselhamento para apoiar candidaturas ao crédito.

O diplomata reiterou a importância do seguro climático como instrumento de protecção, num contexto em que Moçambique enfrenta cada vez mais eventos extremos. “Esperamos que este projecto piloto seja bem-sucedido e possa escalar, tornando o seguro climático mais acessível a todos os agricultores moçambicanos”, declarou.

A nova linha de financiamento é vista como uma ferramenta transformadora, com potencial para fortalecer a produção nacional, reduzir a dependência das importações alimentares e consolidar o papel do sector privado como motor de crescimento sustentável.

Nas palavras do ministro Salimo Valá, “cada euro e cada metical investido representam uma oportunidade para gerar emprego, valorizar o campo e melhorar a vida das comunidades rurais”.

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Categoria: Economia

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