Relações Moçambique-China ganham novo impulso
O ministro da Planificação e Desenvolvimento (PD), Salim Valá, afirmou que a República Popular da China continua a ser um parceiro estratégico fundamental no processo de desenvolvimento económico e social do país. A declaração foi feita na última terça-feira, 23 de setembro de 2025, em Maputo durante a celebração do 76º aniversário da fundação da República Popular da China
Durante o evento, Salim Valá destacou que a cooperação bilateral entre Moçambique e a China tem vindo a ganhar um novo dinamismo, sustentado por uma relação de amizade, solidariedade e resultados concretos em vários sectores. Segundo o governante, a intervenção chinesa abrange áreas-chave como infraestruturas, energia, transportes, agricultura, saúde, educação, ciência e tecnologia, cultura, defesa e segurança, entre outras.
Valá revelou que, fruto desta parceria, a China posicionou-se entre os dez maiores investidores estrangeiros em Moçambique, tendo ocupado a segunda posição entre 2021 e 2023. Em 2024, o volume das trocas comerciais entre os dois países atingiu cerca de 5,19 mil milhões de dólares, com as exportações moçambicanas a somarem 1,81 mil milhões de dólares, impulsionadas pelo carvão mineral, caju, feijão-bóer e macadâmia.
O ministro referiu que estes produtos beneficiam de protocolos fitossanitários e de isenção de tarifas alfandegárias, facilitando o acesso ao mercado chinês. Por outro lado, Moçambique importou da China 3,38 mil milhões de dólares em bens, sobretudo maquinaria pesada, materiais de construção, equipamentos eletrónicos e bens de consumo.
Entre os projectos estruturantes destacados pelo ministro estão a construção de estradas, hospitais, escolas, pontes, aeroportos e o estabelecimento de centros de tecnologia agrária, como o de Boane. Mencionou ainda o projecto agrícola Wanbao, na província de Gaza, considerado uma das maiores plantações de arroz do país e importante para a segurança alimentar e a criação de emprego.
Salim Valá agradeceu ao governo do Presidente Xi Jinping pelo “apoio multiforme” prestado ao longo dos últimos 50 anos, sublinhando que a cooperação com a China está alicerçada numa visão de desenvolvimento endógeno, com impactos visíveis na melhoria das condições de vida dos moçambicanos.
Por sua vez, a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, assegurou que o seu país continuará a apoiar o crescimento de Moçambique, destacando que a cooperação entre os dois Estados tem produzido resultados tangíveis e sustentáveis.
Zheng sublinhou que, de Janeiro a Julho de 2025, as exportações de produtos moçambicanos para a China cresceram 13,8%, atingindo 1,9 mil milhões de dólares, com uma isenção tarifária superior a 5 milhões de dólares. A diplomata reiterou o compromisso do seu governo em transformar o vasto mercado chinês em novas oportunidades de desenvolvimento partilhado com Moçambique.
A embaixadora acrescentou ainda que a China continuará a trabalhar com Moçambique para implementar quatro iniciativas globais e para reforçar o multilateralismo, com vista à construção de uma comunidade internacional mais coesa e com um futuro partilhado.
