INAM prevê chuvas irregulares na época 2025-2026

-Ministério da Saúde alerta para impacto na saúde pública com possíveis surtos de malária, diarreias e cólera

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê uma distribuição irregular de chuvas durante a época chuvosa 2025-2026 em Moçambique, com maior concentração de precipitação no sul do país entre Outubro e Dezembro de 2025, e uma abrangência mais alargada nas regiões centro e norte nos meses de Janeiro a Março de 2026.

Segundo Isaías Raiva, climatologista do INAM, prevê-se um cenário de “fase seca” durante o próprio período chuvoso, o que significa que, apesar da ocorrência de chuvas, poderá haver momentos prolongados de escassez hídrica, com maior impacto esperado na baixa costeira de Cabo Delgado, no norte do país.

O especialista indicou ainda que a previsão da ocorrência de ciclones tropicais ainda não está disponível, sendo normalmente elaborada em Novembro, mês que marca o início da época ciclónica no Oceano Índico. De momento, as condições oceânicas ainda não são favoráveis à formação de ciclones, devido às temperaturas relativamente baixas da superfície marítima.

Isaías Raiva destacou que o INAM tem vindo a reforçar a sua capacidade técnica e tecnológica para a produção de previsões meteorológicas independentes, sem depender exclusivamente das análises da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). O objectivo, segundo o climatologista, é melhorar a precisão das previsões e fortalecer os mecanismos de alerta precoce.

MISAU reforça vigilância face aos riscos para a saúde pública

Perante as previsões meteorológicas, o Ministério da Saúde (MISAU) alertou para o impacto que as alterações no regime de chuvas poderão ter na saúde pública, em particular com o aumento de doenças como a malária, as diarreias e a cólera.

De acordo com Américo José, representante do MISAU, a primeira fase da época chuvosa (Outubro a Dezembro) poderá registar uma redução significativa nos casos de malária e diarreias, devido à menor precipitação. No entanto, no segundo período (Janeiro a Março), com o aumento previsto das chuvas, há maior probabilidade de surtos dessas doenças.

Américo José destacou a vulnerabilidade das províncias de Nampula, Zambézia e Tete, que poderão registar um risco elevado de malária, diarreias, cólera e síndromes febris. Para fazer face a estes desafios, o MISAU implementará um pacote de medidas preventivas.

Entre essas medidas, destacam-se: maximização da vigilância epidemiológica a nível distrital; para permitir a detecção precoce de surtos; formação e retreinamento dos profissionais de saúde, garantindo uma resposta rápida a emergências; disponibilização de equipamentos de diagnóstico para testagens em unidades sanitárias; sensibilização comunitária, com foco no saneamento básico e no uso correcto de redes mosquiteiras para prevenção da malária.

Segundo o representante do MISAU, estas acções são fundamentais para mitigar os impactos das alterações climáticas e garantir a preparação do sistema de saúde face à demanda crescente durante a época chuvosa.

Estudos recentes apontam que, se não forem tomadas medidas preventivas eficazes, os fenómenos meteorológicos extremos, agravados pelas alterações climáticas, poderão causar cerca de 14,5 milhões de mortes até 2050 a nível global, reforçando a urgência de uma resposta integrada entre os sectores da meteorologia e da saúde pública (Elton Dinis).


Categoria: Sociedade

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