A PURIFICAÇÃO DAS FILEIRAS DA PRM É UM IMPERATIVO NACIONAL

Por: Fernando Matico

A Polícia da República de Moçambique (PRM), como pilar da ordem pública e da soberania nacional, não pode continuar a operar de forma alheia aos princípios de ética, disciplina e responsabilidade. O cenário actual, visível nas ruas de Maputo e noutras regiões do país, revela uma degradação preocupante da conduta policial, agentes distraídos com telemóveis durante o serviço, outros envolvidos em longas conversas em locais públicos, enquanto a criminalidade se manifesta à luz do dia.
Esse comportamento negligente não é apenas um reflexo de falhas individuais, mas sim de um sistema institucional que permite a impunidade. A ideia generalizada de que o Estado não consegue demitir funcionários públicos, mesmo quando estes violam normas ou cometem faltas graves, alimenta a perpetuação de actitudes irresponsáveis dentro das forças de defesa e segurança.

É preciso afirmar, com clareza, que a função policial não é um privilégio, mas uma missão de elevada responsabilidade cívica e patriótica. Portanto, qualquer agente que não esteja alinhado com os valores da instituição: zelo, disciplina, compromisso e respeito à legalidade-deve ser afastado, em nome do bem colectivo.

Mais do que medidas punitivas, é necessária uma profunda reforma interna, liderada pelo Departamento de Ética e Doutrina da PRM. Este organismo deve assumir um papel activo na reeducação dos efetivos, promovendo formações contínuas sobre cidadania, soberania nacional, simbologia do Estado e, acima de tudo, o papel da polícia numa sociedade democrática.
A reconstrução de Moçambique passa, inevitavelmente, por restaurar a confiança nas instituições. A PRM deve ser exemplo de integridade e serviço à pátria. Isso exige coragem institucional para expurgar das fileiras aqueles que desonram o uniforme e para valorizar quem, com dignidade, garante a ordem, segurança e tranquilidade públicas.
A purificação da PRM já não é apenas uma necessidade administrativa-é uma urgência patriótica.


Categoria: Opinião

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